sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Todo Dia Com Jesus

Marcos 9:33-50

Pobres discípulos! Enquanto o Mestre lhes fala de Seus sofrimentos e de Sua morte, a única coisa que lhes interessa, a ponto de provocar uma disputa entre eles, é a de saber qual entre eles era o maior. Por meio de Sua pergunta o Senhor os sonda (v. 33), para então, com graça e paciência, lhes ensinar o que é humildade.
Esta lição é seguida por outra. Os discípulos tinham pensado que deviam impedir alguém de realizar milagres no nome do Senhor Jesus. Ele "não nos segue", é o pretexto que João apresenta. Mas o Senhor lhes mostra que também nessa questão eles estavam mesmo ocupados consigo mesmo e não com Ele. Vigiemos para não termos um espírito sectário! Muitos cristãos, embora não andem conosco, seguem fielmente e bem de perto ao Senhor no caminho da abnegação e da cruz (capítulo 8:34).
Encontramos em Mateus 5:29 e 18:8 o que corresponde aqui aos versículos 42 a 48. Mas, de uma maneira geral, notamos que no Evangelho de Marcos os ensinamentos do Senhor ocupam menos espaço em comparação com as Suas atividades. Por exemplo, não temos aqui o Sermão do Monte. Poucas palavras, mas muita devoção e abnegação, tal é o caráter do Servo fiel.
A Reforma Protestante do século XVI foi um fenômeno variado e complexo, que incluiu fatores políticos, sociais e intelectuais. Todavia, o seu elemento principal foi religioso, ou seja, a busca de um novo entendimento sobre a relação entre Deus e os seres humanos.
Neste artigo, Alderi Matos fornece um resumo histórico da Reforma Protestante:

1. Antecedentes – final da Idade Média

1.1 Os Estados Nacionais

Nos séculos que antecederam a Reforma Protestante, a Igreja não vivia em um vácuo, mas sim em um contexto político e social mais amplo com o qual tinha múltiplas interações. No final da Idade Média, houve o surgimento dos chamados “estados nacionais”, as modernas nações européias, o que representou uma grande ameaça às pretensões do papado. Na Alemanha (Sacro Império Romano), Rudolf von Hapsburg foi eleito imperador em 1273. Em 1356, um documento conhecido como Bula de Ouro determinou que cada novo imperador seria escolhido por sete eleitores (quatro nobres e três arcebispos). Havia descentralização política, isto é, o poder dos príncipes limitava a autoridade do imperador, e forte tensão entre a igreja e o estado.
Na França, houve o fortalecimento da monarquia com Filipe IV, o Belo (1285-1314). Esse rei enfrentou com êxito o poder da Igreja e dos papas e preparou a França para tornar-se o primeiro estado nacional moderno. Na Inglaterra, o parlamento reuniu-se pela primeira vez em 1295. Esse país teve um grande rei na pessoa de Eduardo I (†1307), que subjugou os nobres e enfrentou com êxito o papa na questão de impostos.

1.2 O Declínio do Papado

Este período começa com o pontificado de BonifácioVIII (1294-1303), um papa arrogante e ambicioso que entrou em confronto direto com o rei Filipe IV acerca de impostos e da autoridade papal. Bonifácio publicou três famosas bulas: Clericis Laicos, na qual reclama que os leigos sempre foram hostis ao clero; Ausculta Fili (“Escuta, filho”), dirigida ao rei francês, Unam Sanctam (1302), denominada “o canto do cisne do papado medieval”. Irritado com as ações papais, Filipe enviou suas tropas, o papa foi preso e faleceu um mês após ser libertado.
Seguiu-se um período de crescente desmoralização do papado. Clemente V (1305-1314), um papa francês, transferiu a Cúria, ou seja, a administração da Igreja, para Avinhão, ao sul da França, no que ficou conhecido como o “Cativeiro Babilônico da Igreja” (1309-1377). Em toda parte, cresceram as críticas às extravagâncias e ao luxo da corte papal. João XXII (1316-1334) mostrou-se eficiente na cobrança de taxas e dízimos para cobrir essas despesas. Finalmente, ocorreu o chamado “Grande Cisma”, em que houve dois e posteriormente três papas rivais em Roma, Avinhão e Pisa (1378-1417). Diante dessa situação constrangedora, surgiu em toda a Europa um clamor por “reformas na cabeça e nos membros”.

1.3 O Movimento Conciliar

Durante o “Grande Cisma”, cada papa considerou-se o único legítimo e excomungou o rival. Assim, houve a necessidade de um concílio para resolver a crise. O Concílio de Pisa (1409) elegeu um novo papa, mas os outros dois recusaram-se a serem depostos, resultando em três papas ao mesmo tempo. João XXIII, o segundo papa pisano, convocou o Concílio de Constança (1414-1417), que depôs os três papas, elegeu Martinho V como único papa, decretou a supremacia dos concílios sobre o papa e condenou os pré-reformadores João Wycliff, João Hus e Jerônimo de Praga. O Concílio de Basiléia (1431-1449) reafirmou a superioridade dos concílios. Finalmente, o Concílio de Ferrara-Florença (1438-1445) tentou a união com a Igreja Ortodoxa (frustrada pela conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453) e reafirmou a supremacia papal. Essa tentativa fracassada de tornar a Igreja mais democrática e governá-la através de concílios ficou conhecida como conciliarismo.

1.4 Movimentos dissidentes

Outro aspecto desse período de efervescência foi o surgimento de alguns movimentos dissidentes no sul da França que despertaram forte oposição da Igreja Católica. Um deles foi o dos cátaros (em grego = “puros”) ou albigenses (da cidade de Albi), surgidos no século 11. Caracterizavam-se por um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, com um dualismo radical (espiritual x material) e extremo ascetismo. Foram condenados pelo 4° Concílio Lateranense em 1215 e mais tarde aniquilados por uma cruzada. Para combater esses e outros hereges, a Inquisição foi oficializada em 1233.
Outro movimento foi liderado por Pedro Valdo ou Valdes († c.1205), de Lião, cujos seguidores ficaram conhecidos como “homens pobres de Lião”. Tinham um estilo de vida comunitário, ensinavam as Escrituras no vernáculo (enfatizando o Sermão do Monte), incentivavam a pregação de leigos e de mulheres, negavam o purgatório. Condenados pelo Concílio de Verona em 1184, foram muito perseguidos, refugiando-se em vales remotos e quase inacessíveis dos alpes italianos. Mais tarde, abraçaram a Reforma Protestante, sendo assim uma das poucas Igrejas protestantes anteriores à Reforma do Século 16.

1.5 Primeiros Movimentos de Reforma

Nos séculos 14 e 15, surgiram alguns movimentos esporádicos de protesto contra certos ensinos e práticas da Igreja Medieval. Um deles foi encabeçado por João Wycliff (1325?-1384), um sacerdote e professor da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Wycliff atacou as irregularidades do clero, as superstições (relíquias, peregrinações, veneração dos santos), bem como a transubstanciação, o purgatório, as indulgências, o celibato clerical e as pretensões papais. Seus seguidores, conhecidos como os lolardos, tinham a Bíblia como norma de fé que todos devem ler e interpretar.
João Hus (c.1372-1415), um sacerdote e professor da Universidade de Praga, na Boêmia, foi influenciado pelos escritos de Wycliff. Definia a igreja por uma vida semelhante à de Cristo, e não pelos sacramentos. Dizia que todos os eleitos são membros da igreja e que o seu cabeça é Cristo, não o papa. Insistia na autoridade suprema das Escrituras. Hus foi condenado à fogueira pelo Concílio de Constança. Seus seguidores ficaram conhecidos como Irmãos Boêmios (1457) e foram muito perseguidos. Foram os precursores dos Irmãos Morávios, que veremos posteriormente, outro grupo protestante cujas raízes são anteriores à Reforma do século 16. Outro indivíduo incluído entre os pré-reformadores é Jerônimo Savonarola (1452-1498), um frade dominicano de Florença, na Itália, que pregou contra a imoralidade na sociedade e na Igreja, inclusive no papado. Governou a cidade por algum tempo, mas finalmente foi excomungado e enforcado como herege.

1.6 Movimentos Devocionais

Além dos movimentos que romperam com a Igreja, houve outros que permaneceram na mesma por se concentrarem na vida devocional, sem críticas aos dogmas católicos. Um deles foi o misticismo, bastante forte na Inglaterra, Holanda e especialmente na Alemanha (Reno). Os principais místicos dessa época foram Meister Eckhart (†1327); Tauler (†1361) e os “Amigos de Deus”, Henrique Suso (†1366) e mais tarde o célebre teólogo e líder eclesiástico Nicolau de Cusa (1401-1464). O misticismo dava ênfase à união com Deus, ao amor, à humildade e à caridade, e produziu uma belíssima literatura devocional.
Outro importante movimento foi a Devoção Moderna, que se manteve forte durante todo o século 15. Suas ênfases recaíam sobre a espiritualidade, a leitura da Bíblia, a meditação e a oração. Também valorizava a educação, criando ótimas escolas. Foi um movimento leigo, para ambos os sexos, e também exerceu grande influência sobre os reformadores protestantes. Os participantes eram conhecidos como Irmãos da Vida Comum. A obra mais importante e popular produzida por esse movimento foi o belíssimo livreto devocional A Imitação de Cristo (1418), escrito por Thomas à Kempis.

1.7 Os humanistas bíblicos

O interesse pelas obras da Antiguidade levou ao estudo da Bíblia nas línguas originais pelos chamados humanistas bíblicos. Os principais deles foram o italiano Lorenzo Valla (†1457), estudioso do Novo Testamento; o inglês John Colet (†1519), estudioso das epístolas paulinas; o alemão Johannes Reuchlin (†1522), notável hebraísta; o francês Lefèvre D’Étaples (†1536), tradutor do Novo Testamento; e o holandês Erasmo de Roterdã (1466?-1536), “o príncipe dos humanistas”, que publicou uma edição crítica do Novo Testamento grego com uma tradução latina, talvez a obra mais importante publicada no século 16, que serviu de base para as traduções de Lutero, Tyndale e Lefèvre e muito influenciou os reformadores protestantes. Esse retorno às Escrituras muito contribuiu para a Reforma do Século 16.

1.8 Situação Geral

O final da Idade Média foi marcado por muitas convulsões políticas, sociais e religiosas. Entre as políticas destacou-se a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre a Inglaterra e a França, na qual tornou-se famosa a heroína Joana D’Arc. Houve também muitas revoltas camponesas, o declínio do feudalismo, a expansão das cidades e o surgimento do capitalismo. No aspecto social, havia fomes periódicas e o terrível flagelo da peste bubônica ou peste negra (1348). As guerras, epidemias e outros males produziam morte, devastação e desordem, ou seja, a ruptura da vida social e pessoal. O sentimento dominante era de insegurança, ansiedade, melancolia e pessimismo. Isso era ilustrado pela “dança da morte”, gravuras que se viam em toda parte com um esqueleto dançante.
Na área religiosa, houve a erosão do ideal da cristandade ou “corpus christianum”, a sociedade coesa sob a liderança da igreja e dos papas. A religiosidade era meritória, com missas pelos mortos, crença no purgatório e invocação dos santos e Maria. Ao mesmo tempo, havia grande ressentimento contra a igreja por causa dos abusos praticados e do desvio dos seus propósitos. Isso é ilustrado pela situação do papado no final do século 15 e início do século 16. Os chamados papas do renascimento foram mais estadistas e patronos das artes e da cultura do que pastores do seu rebanho. A instituição papal continuou em declínio, com muitas lutas políticas, simonia, nepotismo, falta de liderança espiritual, aumento de gastos e novos impostos eclesiásticos. Como papa Alexandre VI (1492-1503), o espanhol Rodrigo Borja foi um generoso promotor das artes e da carreira dos seus filhos César e Lucrécia; Júlio II (1503-1513) foi um papa guerreiro, comandando pessoalmente o seu exército; Leão X (1513-1521), o papa contemporâneo de Lutero, teria dito quando foi eleito: “Agora que Deus nos deu o papado, vamos desfrutá-lo”.
Por: Alderi Matos. © 2011 – DTI – Divisão de Tecnologia da Informação
Instituto Presbiteriano Mackenzie. Original: A Reforma Protestante do Século XVI.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Todo Dia Com Jesus

Marcos 9:14-32

Tendo descido do monte, o Senhor retoma o Seu serviço de amor, do qual o apóstolo Pedro, testemunha de todas essas coisas, faria mais tarde um excelente resumo em Atos 10. "Jesus de Nazaré", diz ele, "andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele" (Atos 10:38). O Senhor encontra uma numerosa multidão falando e discutindo entre eles mesmos. O objeto de toda essa agitação é um pobre menino que, apesar de sua tenra idade, sofria de terríveis crises nervosas provocadas por um demônio. Em vão o pobre pai havia apresentado o caso de seu único filho aos discípulos, pois eles não puderam expulsar esse espírito imundo. Antes de o Senhor Jesus operar a libertação do garoto, Ele apresenta a razão do fracasso deles: incredulidade; porque "tudo é possível ao que crê". Então, com lágrimas, esse homem se entrega ao Senhor. Compreende que não se alcança a fé apenas com um esforço de vontade, e se reconhece incapaz. Precisamos da ajuda divina não somente para a libertação propriamente dita, mas até mesmo para pedir por ela.
No versículo 26, o poder demoníaco manifesta-se ainda uma vez, mas é apenas para que a vitória do Senhor seja evidente. "Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou" (v. 27).

Da Insegurança Política à Certeza Profética

Norbert Lieth
O poder mundial é limitado pela impotência humana. A onipotência é ilimitada em virtude da autoridade divina. Ou, como diz a Bíblia: “O Senhor frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração por todas as gerações. Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33.10-12).

Da insegurança política

A insegurança das nações reflete-se hoje em muitas áreas:
  • nas discussões políticas sobre as mudanças climáticas: a única certeza, sempre manifestada por unanimidade, é a concordância em marcar a próxima reunião.
  • na economia: há orgulho por causa do progresso, enquanto grandes bancos quebram e perdem bilhões.
  • na instabilidade militar: a Guerra Fria volta a tomar forma.
  • na mente das pessoas: a espiral de toda sorte de perturbações emocionais aumenta de forma crescente. Os psicoterapeutas prosperam.
  • nas questões religiosas com relação à pergunta sempre relevante: O que é a verdade?
As negociações entre Israel e os palestinos são constantemente apresentadas como perspectivas de se chegar a uma “paz justa” no mundo. O então presidente George W. Busch afirmou durante a conferência de paz de Annapolis: “Queremos estabelecer o fundamento de uma nova nação, de um Estado palestino democrático, que possa conviver com Israel em paz e segurança”.[1] Apesar de todas as declarações positivas, a realidade é outra, e a Bíblia não deixa dúvidas sobre o que virá: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1 Ts 5.3).
Os esforços humanos, por mais bem intencionados que sejam, encontram barreiras praticamente intransponíveis. Um comentário da revista alemã Stern revela esse desamparo diante das grandes questões da humanidade: “No Ocidente, hoje mais do que há algumas décadas, vê-se com mais clareza que a política e a ciência estão sendo exigidas além de suas capacidades no esforço para se criar um mundo justo”.[2] O povo de Israel sempre sofreu decepções quando confiou em homens e na política mundial. O fato desse povo ainda existir deve-se apenas ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, graças às promessas que Ele lhe fez. Essas promessas, registradas na Sua Palavra, são o penhor de que o futuro dessa nação tão atacada está assegurado. Mas Israel não encontrará segurança real enquanto não se voltar de todo o coração para seu Messias, Jesus. Alguém disse com razão: “Não precisamos de um programa, precisamos de uma pessoa”. E essa Pessoa é Jesus Cristo, “o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes” (1 Pe 3.22).
Não é só o mundo como um todo e Israel como nação atacada que se ressentem da falta de segurança. Essa insegurança está aninhada nos corações dos homens individualmente.
Mas não é só o mundo como um todo e Israel como nação atacada que se ressentem da falta de segurança. Essa insegurança está aninhada nos corações dos homens individualmente, e nós, cristãos, temos toda a razão em buscar – e achar – a segurança que a Palavra de Deus nos concede.

Segurança profética

Estaremos nos baseando no livro de Isaías ao analisarmos o tema desta mensagem. Isaías é o legítimo “evangelista” dentre os profetas. Seu livro também costuma ser chamado de Bíblia em formato reduzido:
• O livro de Isaías tem 66 capítulos, e a Bíblia tem 66 livros.
• O livro de Isaías tem duas partes principais, escritas pelo mesmo autor – a Bíblia também tem duas partes, inspiradas pelo Espírito Santo.
• Os primeiros 39 capítulos de Isaías têm como tema central o juízo divino sobre os pecados. Os 27 capítulos da segunda parte falam mais de graça e restauração; essa parte também é chamada de “grandiosa poesia messiânica”. A Bíblia, por sua vez, tem 39 livros do Antigo Testamento, muitas vezes falando do juízo. E ela tem 27 livros do Novo Testamento, cujo tema central é a graça de Deus.
• O livro de Isaías é citado ou mencionado mais de 210 vezes no Novo Testamento – apenas os capítulos 40 a 66 por mais de 100 vezes. [3]
Os 27 capítulos da segunda parte de Isaías harmonizam-se surpreendentemente com os livros do Novo Testamento. Isso não pode ser mero acaso. Vejamos alguns exemplos:
• Isaías 40 é o primeiro capítulo da segunda parte do livro; corresponde ao 40º livro da Bíblia, ou seja, ao primeiro livro do Novo Testamento (Evangelho de Mateus). Está escrito: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (Is 40.3-5).
Em contraposição, lemos no Evangelho de Mateus: “Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.3). Isso refere-se a João Batista. E no Evangelho de João está escrito:“...vimos a sua glória...” (Jo 1.14).
• Isaías 44 corresponde ao 44º livro da Bíblia, que é Atos dos Apóstolos: “Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes; brotarão como a erva, como salgueiros junto às correntes de águas. Um dirá: Eu sou do Senhor; outro se chamará do nome de Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão: Eu sou do Senhor, e por sobrenome tomará o nome de Israel” (Is 44.3-5). Essa é uma maravilhosa indicação do tema central de Atos dos Apóstolos: o derramamento do Espírito Santo, as primeiras conversões e a mudança de rumo dos gentios, voltando-se para o Deus de Israel.
• Em Isaías 45 prenuncia-se o 45º livro da Bíblia, que á a Carta aos Romanos. Nesse capítulo do livro de Isaías a palavra “justiça” é salientada de forma especial, pois aparece seis vezes. Também se menciona que Israel será salvo (v.25). Isso corresponde com exatidão ao assunto da Carta aos Romanos.
• Na seqüência, Isaías 49 corresponde à Carta aos Efésios. Nesse capítulo vemos a salvação sendo oferecida também aos gentios e a declaração de que o Senhor foi dado como luz para os gentios (vv.1,6). Este é exatamente o tema da Carta aos Efésios: os gentios sendo incorporados à Igreja dos salvos (Ef 2.16-18; 3.5-6).
O rolo de Isaías com seu texto completo foi encontrado em Qumran em 1947. Esse achado foi datado como sendo do segundo século antes de Cristo, confirmando que essa escritura é inspirada por Deus em sua totalidade.
Outro tema é descrito assim: “Tirar-se-ia a presa ao valente? Acaso, os presos poderiam fugir ao tirano? Mas assim diz o Senhor: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano fugirá, porque eu contenderei com os que contendem contigo e salvarei os teus filhos” (Is 49.24-25). Comparemos essas palavras com Efésios 4.8: “Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens”. Jesus tomou a presa do valente e tirano, que é o Diabo, e deixou os cativos livres. Nenhum crente continua sendo uma presa da morte.
• Isaías 66 corresponde ao último livro da Bíblia, que é o Apocalipse. “...porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66.22). O tema do Apocalipse é a introdução no novo céu e na nova terra: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra já passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.1-2).
O rolo de Isaías com seu texto completo foi encontrado em Qumran em 1947. Esse achado foi datado como sendo do segundo século antes de Cristo, confirmando que essa escritura é inspirada por Deus em sua totalidade. Os rolos de Qumran foram descobertos justamente na época da fundação do Estado de Israel, o que deixa transparecer uma óbvia direção divina, e o texto de Isaías recebeu muito destaque nesse achado de inestimável valor histórico. Tudo leva a crer que o Deus de Israel estava querendo estabelecer um sinal. E o que isso significa para você, pessoalmente? Significa que você pode contar com esse Deus, que pode entregar sua vida a Ele e olhar para o futuro confiando nEle!
Baseados em Isaías 40 e 41, examinemos a confiança que Deus oferece. Mas prestemos atenção a um fato: as profecias de Isaías têm um cumprimento duplo, pois retratam juntamente a primeira e a segunda vinda de Jesus.

O duplo sofrimento e o duplo consolo

“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados” (Is 40.1-2). Quando a iniqüidade de Israel estará perdoada, quando Israel receberá o perdão por seus pecados? Depois que Jerusalém receber em dobro das mãos do Senhor. Então o Senhor voltará a Sião para afastar de Israel a sua impiedade (veja Rm 11.25; Ez 36.33).
Jerusalém suportou uma dose dupla: o cativeiro babilônico e o cativeiro romano (em 70 d.C.), a destruição do primeiro Templo e a destruição do segundo Templo. Duas vezes Jerusalém foi consolada: uma vez por ocasião do retorno do cativeiro babilônico sob Zorobabel e Esdras (veja Zc 4; Ag 2), e pela segunda vez no retorno do cativeiro mundial, da volta da Diáspora (Dispersão) no fim dos dias (em 1948); agora, a Igreja deveria assumir esse consolo.
No passado, tratava-se da primeira vinda de Jesus, que João Batista anunciava no espírito de Elias; hoje trata-se de Sua volta, que a Igreja apregoa.
No passado, tratava-se da primeira vinda de Jesus, que João Batista anunciava no espírito de Elias; hoje trata-se de Sua volta, que a Igreja apregoa (veja Is 40.3-5). No passado, Jesus veio em humildade; apenas uma única vez Jesus deixou entrever Sua glória, o que aconteceu no monte da Transfiguração (veja Jo 1.14; Mt 17.1,13; 2 Pe 1.16-18). Ele não voltará em humildade, mas em poder supremo e glória majestosa (veja Mt 24.30).

O caminho para o retorno do Senhor em glória

A volta de Cristo se anuncia em diversas etapas:
1. O contraste entre a insegurança dos povos e a segurança da eterna Palavra de Deus torna-se cada vez mais evidente (veja Is 40.6-8). Essa Palavra é retomada por Pedro, que a aplica a nosso tempo e à Igreja (veja 1 Pe 1.23-25).
2. O Arrebatamento da Igreja se delineia (veja Is 40.9-11). De Sião partiu originalmente a boa-nova do Evangelho (v.9). Ao próprio Israel precisa-se anunciar hoje: “Eis aí está o vosso Deus!” (v.9). Ele não decepciona jamais! O Arrebatamento está às portas. “Eis que o Senhor virá com poder...” (Is 40.10). Em outras palavras, Jesus voltará em glória (veja Mt 24.30). “...e o seu braço dominará” (Is 40.10). Isso significa o domínio do Messias, Ele é o braço de Deus em ação. “...eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (v.10).Que galardão, que recompensa é essa? É a Igreja de Jesus, já arrebatada, que voltará com Ele em glória, sendo ela o penoso fruto do trabalho de sua alma (veja Is 53.12; 2 Ts 1.7; Ap 19.11ss.). Depois de Sua volta em poder e glória junto com Sua Igreja, o Messias apascentará Seu povo como Bom Pastor (veja Is 40.11).
3. A Grande Tribulação se anuncia (veja Is 40.15-17). Ao ler uma passagem assim, muitos acusam a Deus de lidar cruelmente com a humanidade. Em seu orgulho cego e sua rejeição da vontade de Deus, essas pessoas não percebem que é Deus quem as acusa. Nações são como um grãozinho de pó para Ele. O que o homem imagina que é? Deus deixará as nações consternadas por causa de seu orgulho; não apenas as ilhas, mas até os céus e a terra serão abalados (veja Hb 12.26-27). A insegurança que se avizinha assumirá proporções nunca vistas. Catástrofes naturais se multiplicarão, ameaças de guerra aumentarão, a economia experimentará novas e profundas quedas, a paz e a segurança anunciadas para a região de Israel se converterão no contrário.

A segurança do Deus incomparável

A insegurança que se avizinha assumirá proporções nunca vistas. Catástrofes naturais se multiplicarão, ameaças de guerra aumentarão, a economia experimentará novas e profundas quedas, a paz e a segurança anunciadas para a região de Israel se converterão no contrário.
“Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?” (Is 40.18). Israel busca segurança em muitos e muitos lugares por ter perdido de vista a segurança do incomparável Deus. Mas apenas no Deus único e verdadeiro, o Deus que escreveu a profecia e se revelou em Jesus, o homem encontra seu alvo. E precisamos dessa segurança mais do que nunca!
Israel é eleito: “Os países do mar viram isto e temeram, os fins da terra tremeram, aproximaram-se e vieram” (Is 41.5):Insegurança. “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo” (Is 41.8): Segurança. A eleição de Israel baseia-se na amizade de Deus com Abraão (veja Tg 2.23) e encontra seu ponto máximo no Servo Jesus Cristo. Por isso, Deus não termina Sua amizade, pois não é como nós, seres humanos, como os políticos do mundo (veja Gl 3.17). Existe algo melhor do que ter a Deus como amigo? Se Ele é por você, quem será contra você? Nem mesmo a morte pode separá-lo do Senhor (veja Rm 8.37-39). Jesus diz: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15.14).
A amizade fiel de Deus ficou provada: “tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9). Primeiramente, Deus conduziu Seu amigo Abraão das extremidades da terra (de Ur na distante Caldéia) até Canaã e prometeu-lhe a terra por possessão eterna (veja Gn 17.8). O profeta Isaías não limitou sua declaração a Abraão, Ele a estendeu profeticamente até a volta final da última semente de Abraão, que é o povo judeu. Esse é o sentido da profecia para Israel e o contexto do livro de Isaías. Por isso, Isaías fala no plural: “que eu tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos... eu te escolhi,e não te rejeitei...”. Abraão, afinal, não veio das extremidades da terra nem dos seus recantos mais remotos – seus descendentes, sim. É o que vemos acontecendo há algumas décadas (veja Dt 30.4ss.). Essas gerações que descendem de Abraão não foram rejeitadas; por isso elas existem! O fato de Israel existir novamente como Estado é uma prova visível da fiel amizade de Deus com Abraão (veja Gl 3.17).
Israel não teria motivos para temer: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10). Essa conclamação a não temer é repetida nos versículos 13 e 14. o profeta antevê que seu povo sentirá medo repetidamente, até nos tempos finais; a história o confirma. É medo da opressão, do abandono, do isolamento e da insegurança. Por isso, as repetidas respostas de Deus a esses temores de Seu povo. Aqui, em Isaías, a segurança que vem de Deus ergue sua voz e fala para a situação de insegurança de Israel.
“tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9)
Existem seis razões porque no futuro o remanescente crente de Israel não precisará temer. E essas razões são melhores do que o exército israelense, a política, a ONU, os EUA ou a UE:
1. “eu sou contigo”.
2. “eu sou o teu Deus”.
3. “eu te fortaleço”.
4. “e te ajudo”.
5. “e te sustento”.
6. “com a minha destra fiel”.
Essas razões são concretizadas pelo Messias de Israel, que é Jesus Cristo. Ele é a destra fiel, e por Sua morte e ressurreição trouxe justiça. Em Sua volta reside a garantia de segurança para Israel. Podemos tomar essa promessa pessoalmente, aplicando-a à nossa própria vida.
As nações, essas sim, têm motivos para temer. “Eis que envergonhados e confundidos serão todos os que estão indignados contra ti; serão reduzidos a nada, e os que contendem contigo perecerão. Aos que pelejam contra ti, buscá-los-ás, porém não os acharás; serão reduzidos a nada e a coisa de nenhum valor os que fazem guerra contra ti. Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo” (Is 41.11-13). Leon de Winter escreveu: “Os países islâmicos jamais poderiam aceitar o Israel de hoje como seu igual... Israel está cercado pelo Irã, pela Síria, pelo Hezb’allah (Partido de Alá) e pelo Hamas, e o porta-voz deles, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, expressa com clareza seus desejos mais profundos: eliminar Israel, castigar a arrogância de Israel e degradar os judeus à condição de minoria sob domínio islâmico”.[4] Mas, apesar das mais infames calúnias, das mais duras perseguições e das mais brutais tentativas de aniquilação durante sua dispersão de quase dois mil anos, o povo judeu não pereceu – pelo contrário! Os inimigos de Israel de ontem, hoje e amanhã passaram, passam e passarão ainda mais mal. Durante sua campanha pelo Oriente Médio, há 200 anos, Napoleão disse: “A História não se decide no Ocidente, mas no Oriente!”[5] Peter Scholl-Latour cita seu professor de árabe, Jacques Berque: “O destino de Jerusalém não é uma questão política; o destino de Jerusalém é uma sentença de juízo final![6] E Siegfried Schlieter comenta: “A questão de Jerusalém é politicamente insolúvel. Ela será decidida apenas no dia do juízo final”.[7]
O deserto florido e a existência das cidades israelenses são a prova de que Deus atua nos dias de hoje, e agirá no futuro: “Os aflitos e necessitados buscam águas, a não as há, e a sua língua se seca de sede; mas eu, o Senhor, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei. Abrirei rios nos altos desnudos e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em açudes de águas e a terra seca, em mananciais. Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo o cipreste, o olmeiro e o buxo, para que todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isso, e o Santo de Israel o criou” (Is 41.17-20).
Podemos confiar na palavra profética de Deus. “Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses; fazei bem ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente o veremos. Eis que sois menos do que nada, e menos do que nada é o que fazeis; abominação é quem vos escolhe” (Is 41.23-24). A nulidade de todas as religiões, a falta de autenticidade e credibilidade da política, seus prognósticos inviáveis e seus esforços vacilantes e duvidosos estão em flagrante contraste com a confiabilidade das revelações divinas acerca do futuro. Lemos acerca da confiança que a profecia bíblica merece: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória” (Is 46.9-13).
Com Jesus, a justiça de Deus, começará um novo capítulo para Israel e o mundo inteiro.
Com Jesus, a justiça de Deus, começará um novo capítulo para Israel e o mundo inteiro. Por isso, todas as promessas serão cumpridas, toda a profecia é inteiramente segura e Israel tem um futuro garantido. E este Jesus é Aquele que oferece segurança eterna também a você. Sem Jesus você não tem um chão firme debaixo de seus pés. A seguinte história ilustra essa realidade:
Quando Henrique VIII da Inglaterra (1491-1547) jazia em seu leito de morte, mandou chamar o bobo da corte... O rei disse: “Meu amigo, devo partir”. “Para onde?”, perguntou o bobo. –“Não sei”. “Quando voltareis?” – “Não vou voltar mais”. “Quem vai convosco?” – “Ninguém”. “Vos preparastes para a viagem?” – “Não”. Então o bobo da corte pegou seu cetro de bufão e seu barrete, jogou-os sobre a cama do rei e explicou: “Majestade, vós me ordenastes que eu deveria entregar meu cetro de bobo da corte a alguém que fosse mais bobo do que eu. Vós sois esse alguém, pois ides embora sem saber para onde e não tendes acompanhante”.[8]
Agarre a justiça de Deus, ela está perto de seu coração. É o Senhor Jesus. Ele quer ser seu acompanhante, Ele quer ser sua segurança. Entre com Ele em uma nova vida! (Norbert Lieth -http://www.chamada.com.br)
Notas:
  1. Berliner Privat-Infos, anexo de P.-D. 50/07.
  2. View, encarte de Stern, 4/2007.
  3. A.M. Hodkin, Die Schriften geben Zeugnis von mir, Dillenburg, p. 244.
  4. Israelnetz.de, 3/1/2007.
  5. Siegfried Schlieter, Am Ende der Zeit, Schwengeler, p. 116.
  6. Peter Scholl-Latour, Lügen im Heiligen Land, Goldmann, p. 168.
  7. Siegfried Schlieter, Am Ende der Zeit, Schwengeler, p. 121.
  8. Idea-Spezial, 7/2007, encarte de IdeaSpektrum 48/07.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Todo Dia Com Jesus

Marcos 9:1-13

Segundo a promessa do versículo 1, três discípulos agora têm a oportunidade de contemplar por antecipação a chegada do "reino de Deus com poder". Este reino lhes é apresentado na pessoa do próprio Rei, o qual eles reconhecem como o Senhor Jesus, seu Mestre, revestido de majestade real e de resplandecente glória. Ele, que habitualmente ocultou a Sua glória encobrindo-a sob a humilde "forma de servo" (Filipenses 2:6-7), desvenda-a por um momento à vista dos Seus discípulos, que fica assombrados e maravilhados (Salmo 104:1). A seguir uma voz vem da nuvem, cujo apelo também se dirige a nós: "Este é o meu Filho amado: a ele ouvi". Quanto mais grandeza e dignidade tem uma pessoa, tanto mais importância têm as suas palavras. A pessoa que somos convidados a escutar não é outra senão o Filho amado de Deus. Prestemos, pois, às Suas palavras e ensinamentos, uma atenção tanto maior! (Hebreus 12:25).
Por mais que fosse bom estar no alto monte (v. 5), eles tinham que descer outra vez, e o Senhor faz os três discípulos compreender que o que eles viram somente se cumprirá mais tarde. Visto que nem João Batista (representado por Elias, v. 13) foi aceito como seu precursor nem Ele mesmo como Messias, faz-se necessário agora que Ele passe pela cruz e sofra muito antes de entrar em Sua glória (vv. 12-13).
tt-ouvir
Uma Bíblia foi deixada em algum lugar na casa de cada pessoa que lê este artigo. Talvez mais de uma. O fato de que quase todos os cristãos no Ocidente têm a sua própria Bíblia é um privilégio bem recente. Cerca dos primeiros 1.500 anos da história da igreja, as Bíblias eram bem escassas e veladas. A imprensa não havia sido inventada até meados de 1400, bem como a possibilidade de cada família cristã ter a sua própria Bíblia aconteceu muito mais tarde. A nossa liberdade de tê-las como a temos hoje foi uma das grandes conquistas da Reforma. Assim, atualmente, cada lar cristão provavelmente tem várias Bíblias, talvez mais de uma por pessoa. No entanto, com todas essas Bíblias, quanto tempo gastamos não apenas lendo, mas esperando ouvir Deus falar nelas e através delas? Cercados pela Palavra de Deus, nós raramente o ouvimos. Neste artigo, refletiremos sobre o grande privilégio que temos não só de ouvirmos a Deus falar conosco em Sua Palavra, mas também de orarmos a Palavra de Deus em resposta a ele.
O que é a Palavra de Deus? Muitas vezes, tratamos a Bíblia como um livro de histórias sobre outras pessoas. Quer percebamos ou não, temos sido influenciados por uma visão moderna (ou pós-moderna) da história. Essa visão coloca uma distância tão grande entre a época da Bíblia e o agora de nossas vidas que a Bíblia, então, parece ter perdido seu significado e relevância. É como se a Bíblia tivesse sido sufocada pela história, e sua vitalidade, para muitos, derrotada. Como a grande e velha Bíblia da família, a Palavra de Deus tem o nosso respeito, mas foi relegada ao corredor da história, onde ela foi adicionada às fotografias datadas daqueles que vieram antes de nós, cujas vozes, porém, não são mais ouvidas. Eu gostaria de sugerir que é tempo de removermos o pó, não de nossas Bíblias, mas de nossos corações e mentes, e que possamos relê-la como a voz viva do Deus vivo.
Vamos observar 2 Timóteo 3:16-17:
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
A expressão de que a Palavra é “inspirada” (ou soprada) por Deus é digna de observação. Ela nos lembra de que Deus é um Deus que fala. Ele não simplesmente existe ou é o ser mais recluso que existe. Antes, Ele é o Deus que fala. A Bíblia reflete plenamente a fala de Deus. Ela começa e termina dessa forma, e está repleta, de capa a capa, de Deus falando com o seu povo. Primeiramente, foi por sua fala que Deus criou o mundo. Em Gênesis 1 diz repetidamente que Deus “disse… e assim se fez”. Quando Deus fala, as coisas acontecem. Ele poderia ter simplesmente criado o mundo sem falar, mesmo assim, ele falou. Não percamos de vista o fato de que sempre há um propósito por trás do falar de Deus. Esse propósito é, em última instância, a sua própria glória. Tudo o que ele faz lhe trará, por fim, glória, e tudo o que ele diz também. É por isso que, por sua fala, ele trouxe a criação à existência – para a sua própria glória.
Outra importante ligação entre a criação e o texto de 2 Timóteo 3:16-17 é a criação de Adão em Gênesis 2:7: “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” É curioso ver que, no início, quando Deus criou Adão, este estava sem vida. Ele tinha um corpo, mas não havia fôlego. Ele era como os versículos de abertura de Gênesis: criação iniciada, mas não concluída. Mas isso mudou quando Deus “soprou”. Assim como Deus soprou a vida em sua criação, trazendo-a à existência por sua fala, ele soprou, pessoalmente, a vida em Adão, preenchendo-o com o sopro da vida. E assim se fez – Adão se tornou alma vivente, mas de uma forma superior ao restante da criação. Adão foi criado exclusivamente por Deus para carregar a imagem de Deus e glorificar a Deus. O homem, à imagem de Deus, glorificaria a Deus e se deleitaria em Deus de forma que transcenderiam em muito o restante da criação. Nesse sentido, ele foi criado de forma única, e inspirado de forma única.
Isso nos traz de volta à Palavra de Deus, e para 2 Timóteo 3:16-17 em particular. Este versículo nos ensina que a Palavra de Deus também foi inspirada de forma única. Ela foi “inspirada por Deus”, semelhante à criação da terra em Gênesis 1 e semelhante à criação de Adão em Gênesis 2. O objetivo principal da Palavra de Deus é glorificá-lo. Deus promete preservar a sua Palavra, pelo mesmo Espírito Santo, através do qual ele inicialmente a inspirou. Ela transcende tempo, espaço e história, porque está ligada ao Espírito de Deus, o qual não pode ser sufocado pelas areias do tempo, expulso do mundo ou mudado pelo fluxo da história. Em outras palavras, a veracidade e a relevância da Bíblia não dependem do homem e seus desígnios. A Palavra de Deus está vinculada ao próprio Deus. Portanto, o problema entre nós e a Palavra de Deus tem muito mais a ver conosco do que com a Palavra de Deus.
Se for de consolo, essa dificuldade em ouvir, compreender, acreditar e obedecer a Palavra de Deus não é nova. Os discípulos de Jesus ilustram o problema tão bem quanto qualquer pessoa, talvez até melhor. Afinal de contas, eles estiveram na presença de Jesus. Eles mesmos foram os ouvintes dessas palavras. Eles viram Jesus falar e agir. Beberam o melhor vinho que animou a muitos, comeram o pão milagroso que alimentou a milhares, viram os coxos andarem, os cegos verem, e os mortos ressuscitarem. Quem mais do que eles deveria ter acreditado? Ainda assim, quantas vezes o nosso paciente Senhor teve que suportar a incredulidade deles com relação à sua Palavra? Quantas vezes ele disse: “Homens de pequena fé”?
Neste ponto, João 20:22 chega até nós como um copo de água da vida em um vale de ossos secos. “E com isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebam o Espírito Santo’.” (grifo meu). Por que Jesus sopra sobre eles? Será que Jesus, o Verbo que se fez carne, aquele que soprou vida sobre a primeira criação, era agora o Filho de Deus ressurreto, que sopra vida sobre uma nova criação? Assim como soprou sobre Adão, que recebeu o espírito de vida, Jesus soprou sobre os discípulos e eles receberam o Espírito de vida eterna. Aqueles que outrora eram cegos para a verdade da Palavra de Deus, agora podiam ver. Aqueles que outrora eram surdos agora podiam ouvir. O Espírito Santo havia sido dado a seu povo, e aqueles discípulos covardes, instáveis, obstinados e perplexos (parecidos com você e eu?) finalmente compreenderam e acreditaram no que Jesus dissera a eles aquele tempo todo. Agora eles entendiam a sua cruz e o seu Reino – que aquela era o meio para este. Agora eles entendiam que a verdadeira vida só pode ser encontrada nele e que a sua vida foi entregue por eles. Agora eles entendiam que todas as histórias da Bíblia formavam o cenário para o clímax da história da morte e ressurreição de Cristo. Agora eles acreditavam e proclamavam a sua Palavra com ousadia. Eles se agarraram a ela como se fosse a própria Palavra de vida, a Palavra do Deus vivo. O que fora prometido que o Espírito realizaria neles (orientá-los a um relacionamento com a Palavra de Deus que gera vida) estava se cumprindo agora sob a nova aliança. Talvez seja por isso que Paulo vê a Palavra de Deus como apta para “preparar” o homem de Deus. A Palavra inspirada pelo Espírito é o principal instrumento pelo qual Deus continua sua obra de glorificar a Si mesmo, e Ele faz isso ao salvar e santificar homens e mulheres através dela. A Palavra de Deus não é só viva, ela gera vida (Hebreus 4:10).
A Palavra inspirada de Deus não só nos converte, ela ilumina o nosso caminho, enquanto caminhamos com Deus até o nosso lar celestial. Ela nos diz para onde estamos indo e como devemos viver enquanto peregrinamos neste mundo. Através dela, Deus fala conosco enquanto caminhamos não apenas até ele, mas também com ele. É por isso que, muitas vezes, nas Escrituras, vemos o povo de Deus orando e cantando a Palavra de Deus de volta a ele. Os Salmos estão cheios de canções e orações inspiradas pelo Espírito. Quem é melhor do que Deus em escrever canções em seu louvor e honra? Quem é melhor do que ele para nos ensinar como orar? Enquanto outras palavras possam ser usadas de forma criativa na música e na oração a Deus, certamente devemos considerar a incorporação das palavras do próprio Deus.
Quão grande privilégio consideramos ouvir Deus falando conosco em sua Palavra? A resposta está na nossa leitura, mas não apenas na leitura, na leitura atenta. Cristo promete achegar-se a nós continuamente; ele faz isso através de Sua Palavra inspirada pelo Espírito. Que possamos encontrar graça para irmos até ele através de sua Palavra e ouvi-lo enquanto ele fala.
2013_TBT_01_JanPor R. C. Sproul. Extraído do site www.ligonier.org. © 2013 Ligonier Ministries. Original: Listening to God’s Word.
Este artigo faz parte da edição de Janeiro de 2013 da revista Tabletalk sobre “As Virtudes Perdidas de Ouvir, Meditar e Pensar”.
Tradução: Isabela Siqueira – © Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br. Original: Ouvindo a Palavra de Deus (Eric Watkins)
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Todo Dia Com Jesus

Marcos 8:22-38

Em Betsaida - essa cidade cuja incredulidade o Senhor condena (Mateus 11:21) -, Ele opera ainda um outro milagre em favor de um pobre cego. Foram necessárias duas intervenções do Senhor para curá-lo. Assim também ocorre que, às vezes, são necessários alguns passos até que cheguemos à luz de Deus (Filipenses 1:6).
Depois disso, o Senhor Jesus pergunta a Seus discípulos qual é a opinião das pessoas acerca dEle. A seguir dirige-lhes pessoalmente a questão fundamental: "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" Sim, sejam quais forem as opiniões que os demais possam ter acerca do Senhor Jesus, eu devo conhecê-LO pessoalmente. Porém, a estima de Sua pessoa é somente o ponto de partida no caminho em que Ele me convida a segui-LO: o caminho é de abnegação e da cruz onde eu morri juntamente com Ele. Algumas pessoas, quando provadas, falam com resignação da cruz que têm de carregar, ou do "Calvário" que devem aceitar. Mas isto não é o que o Senhor quer dizer aqui. Ele pede a cada crente que tome voluntariamente o fardo do desprezo e do sofrimento que o mundo sempre imporá ao crente que for fiel (Gálatas 6:14). "Por causa de mim", sublinha o Senhor, pois este é o grande segredo que permite ao cristão reconhecer-se como morto para o mundo e para os seus próprios interesses (v. 35; Romanos 8:36).
KevinDeYoungAlgumasReflexoes
Eu passei a última semana no Brasil, onde falei na Conferência Fiel em Águas de Lindóia, uma pequena cidade turísticas a cerca de 160 quilômetros de São Paulo, e também em Salvador, uma cidade litorânea no nordeste. Passar sete dias em um país gigantesco de 200 milhões de pessoas dificilmente torna alguém qualificado a pontificar a respeito do “estado da igreja” naquele lugar, muito menos a respeito da nação como um todo. Ainda assim, espero que isso permita algumas reflexões — tanto para benefício daqueles que pediram minhas impressões e (mais proveitoso) para meu próprio benefício enquanto medito sobre o que eu vi e aprendi.
Deixe-me resumir meus pensamentos (ainda em formação) em quatro palavras.
  1. Encorajador. É claro, o clima estava ensolarado, a terra era linda e as pessoas calorosas e amáveis. Contudo, além desses deleites, fui muito encorajado pela saúde e a maturidade da igreja que encontrei no Brasil. É fato: a maior parte do país ainda é Católico Romano (e frequentemente sincretista) e o abracadabra da saúde e da prosperidade ainda corre solto em muitos lugares. Ainda assim, a igreja está crescendo no Brasil. Bons ministérios e igrejas evangélicos, fortemente bíblicos e calvinistas estão crescendo. Se nos faltam presbiterianos vibrantes e conservadores no Estados Unidos, somos capazes de encontrar um monte deles no Brasil.
Uma pessoa com quem conversei comentou que pensa que a igreja brasileira é tão forte quanto em qualquer lugar do mundo (imagino que os coreanos possam discordar). Há bons seminários com bons acadêmicos treinando bons pastores para pastorear igrejas boas e em crescimento. Pelo que ouvi, precisam-se de mais pastores e professores confessionalmente ortodoxos e treinados nos mais altos níveis da academia. Mas eu vi de primeira mão e aprendi de primeira mão com pastores e estudiosos brasileiros de primeira linha. A conferência foi dirigida por brasileiros. [...] O Brasil é um país de forte envio missionário. A igreja tem um apetite crescente por bom ensino e bons livros. Agradeço a Deus pela obra do evangelho no Brasil.
  1. Fidelidade. Também agradeço a Deus pelos missionários e líderes locais que plantaram as sementes para a colheita do evangelho que agora cresce no Brasil. O Ministério Fiel é apenas uma história, mas uma digna de nota (esse foi o 30º aniversário da Conferência Fiel). Ao longo das últimas muitas décadas, a Fiel tem publicado bons livros, investido em novas tecnologias (vídeos, blogs, mídia social), estabelecido boas parcerias com ministérios no Estados Unidos e ajudado a dar suporte a pastores locais. Existem outros ministérios, editoras, seminários e denominações fazendo coisas similares. Será que Deus permitirá que você veja os mesmos resultados na sua cidadezinha ou entre o povo não alcançado ou escassamente alcançado que você está servindo agora? Só Deus sabe. Mas se não abandonarmos o trabalho e continuarmos a plantar e mantivermos a nossa mão no arado, Deus certamente fará mais do que podemos imaginar.
  2. Evangelismo. Falando de plantar, sempre que tenho o privilégio de passar tempo com irmãos e irmãs ao redor do mundo, fico inevitavelmente impressionado com o comprometimento deles com o evangelismo (e um pouco envergonhado do meu próprio comprometimento). Que alegria foi ouvir a respeito das dezenas de milhares de livros do R.C. Sproul que foram distribuídos por cristãos brasileiros durante a Copa do Mundo. E que alegria ainda maior foi ouvir um pastor falar de mais de uma dúzia de novos crentes que ele estava batizando em sua igreja como resultado desse esforço evangelístico. Uma doação de livros de larga escala é a melhor maneira de alcançar os perdidos em nosso país? Talvez sim, talvez não. Mas posso pensar em maneiras que com certeza são as piores, como não planejar, não fazer estratégias ou não compartilhar absolutamente nada.
  3. Recursos. Se há algo de que sempre sou lembrado quando falo em outro país é a importância de bom treinamento e bons recursos. Que presente teologicamente sadio, pastoralmente sábio, devocionalmente rico são as editoras cristãs para o mundo. Nunca subestime o poder da palavra impressa, e não subestime a crescente influência da internet. Através da tradução de bons materiais em inglês e da produção de seus próprios recursos online, a igreja brasileira parece estar à frente da média quando se trata de utilizar a internet para a causa de Cristo e a saúde da igreja.
Isso me leva a uma última advertência. Embora seja certamente apropriado para nós no Estados Unidos que tuitamos, escrevemos artigos de blog e livros a respeito de questões que afetam nosso contexto imediato, trabalhemos para pensar ampla e biblicamente sobre o que escrevemos. Obras gerais de teologia, comentários acessíveis, materiais básicos sobre discipulado cristão, peças profundas sobre o ministério pastoral: esses são os tipos de artigos e livros que podem não torná-lo um best-seller ou o rei dos acessos do país, mas o tornarão relevante para cristãos vinte anos no futuro e para cristãos ao redor do mundo hoje. Vamos dar importância ao que é importante.

Por: Kevin DeYoung. © 2014 The Gospel Coalition. Original: A Few Reflections on My Trip to Brazil.
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Algumas Reflexões Sobre Minha Viagem ao Brasil.
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