segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 9:1-15

Para não termos muitas perdas no dia da colheita, semeemos - ou melhor, demos - abundantemente durante a atual estação de semeadura (v. 6; Lucas 6:38; Deuteronômio 15:10). O que Deus puser em nosso coração, façamos, e façamos alegremente. O que guardamos para nós mesmos não nos enriquecerá, e o que dermos não nos empobrecerá jamais (Provérbios 28:27). A graça de Deus nos assegurará a provisão "sempre, em tudo" com "ampla suficiência" (v. 8). Os versículos 11 a 14 nos lembram de que a generosidade desinteressada produz, nos que são ajudados, ações de graças a Deus e orações a favor dos ajudadores. Começando com um assunto que poderíamos julgar secundário, ou seja, o se dar aos outros, o apóstolo dirige nosso pensamento para os mais gloriosos temas: a humilhação do Senhor (8:9); e o dom inefável de Deus (v. 15). Aprendamos a passar dos pequenos fatos da vida cotidiana para as profundas verdades de nossa fé. Uma simples refeição, uma reunião familiar, um presente dado ou recebido com amor são oportunidades para dar graças a Deus e pensar no Dom por excelência: aquele que o Deus de amor enviou ao mundo (João 3:16).

domingo, 30 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 8:9-24

O que era o amor dos macedônios comparado ao supremo exemplo de "nosso Senhor Jesus Cristo"? Eles não haviam escolhido "sua profunda pobreza" (v. 2). Mas Ele, "Herdeiro de todas as cousas" (Hebreus 1:2), voluntariamente se fez pobre, deixando as glórias celestiais para nascer em um estábulo, não tendo nem mesmo onde reclinar a cabeça (v. 9; Salmo 40:17 e 41:1; Lucas 9:58). E para quê? Para enriquecer-nos com essas mesmas glórias e fazer de nós Seus co-herdeiros. Adorável mistério da graça!
Os coríntios não levaram a cabo seu louvável desejo de ajudar as igrejas. O apóstolo lhes escreve que o desejo deles era bom, mas a ação era ainda melhor. Freqüentemente nossas boas intenções... permanecem apenas intenções: querer oferecer uma Bíblia ou um calendário bíblico, querer visitar uma pessoa doente, querer prestar um pequeno serviço a alguém... Que Deus nos dê a mesma prontidão tanto para querer como para fazer (vv. 11-12). É Ele quem produz um e outro em nós, "segundo a sua boa vontade" (Filipenses 2:13), mas a demora entre o movimento do coração e o da mão provém de nossa própria negligência.
A preocupação do apóstolo Paulo era a de se guardar não somente de toda a desonestidade, mas também de toda a aparência do mal diante dos olhos dos homens.

sábado, 29 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 7:13-16; 8:1-8

A obediência dos coríntios havia motivado o gozo e o afeto de Tito e, em conseqüência, havia regozijado e confortado duplamente o apóstolo Paulo (7:13, 15). Mas eles estavam longe de possuir o mesmo zelo dos crentes da Macedônia (8:1-15). Estes últimos não tinham dado parte de seu tempo e de seus recursos; haviam dado a si mesmos por completo. Não aguardaram, como alguns, o final da vida para então dar a Deus apenas o resto de suas forças; "mas deram-se a si mesmos primeiro"... Tampouco começaram com o serviço aos santos (v. 4); não!, primeiramente eles se deram ao Senhor. E esse primeiro ato acarretou os demais. Eles também pertenciam aos apóstolos, servos do Senhor. Será que isso era uma coisa demasiado penosa para os macedônios? Muito pelo contrário! A "abundância de alegria" podia acompanhar "muita prova de tribulação" e "a profunda pobreza deles" também podia ser transformada "em grande riqueza da sua generosidade" (v. 2). Ao que facilmente chamaríamos de carga, eles chamaram de graça (v. 4).
Que Deus nos dê esta mesma bendita consagração ao nosso Senhor, ao qual nós temos o privilégio de servir, enquanto servimos aos Seus!

Os Dez Mandamentos: 8 – Não Furtarás





Um dos livros menos conhecidos de John Bunyan é intitulado Vida e morte do Sr. Homem-mau.[1] Nele, Bunyan narra a história de um indivíduo que era “completamente corrupto” desde a sua mocidade. Mesmo em sua infância, ele era o “cabeça dos pecadores” entre as demais crianças. Ele era muito dado a furtar, começando com pequenos atos como roubar frutas de pomares. Contudo, pecadilhos não confrontados inevitavelmente crescem mais e mais. Assim foi com o Sr. Homem-mau.
Depois de algum tempo, o Sr. Homem-mau decidiu que queria uma esposa, ou, mais especificamente, o dinheiro dela. Seguindo os perversos conselhos de seus companheiros ímpios, ele simulou religiosidade e conquistou a mão de uma donzela piedosa e rica. Credores prontamente vieram a ele em busca do dinheiro do casal. Com o dinheiro de sua esposa piedosa, ele lhes pagou o valor dos bens que prodigamente adquirira para os seus amores ilícitos. Sua esposa morreu de coração partido, porém descansando em Cristo, seu Salvador. Contudo, o Sr. Homem-mau continuou descendo pelo caminho da destruição.
O oitavo mandamento – “Não furtarás” (Êxodo 20.15) – parece direto na superfície. A maioria das pessoas confiantemente declara: “Eu jamais roubei um banco, logo, sou bom nesse particular”. Contudo, a Palavra inspirada do Deus que conhece a profundidade de nossos corações pecaminosos pinta um quadro muito mais amplo do que é proibido e requerido nesse mandamento. Foi esse o discernimento dos pastores e teólogos de Westminster, os quais conheciam as habilidades de seus corações manchados pelo pecado.
A base desse mandamento é o direito divino de propriedade: o fato de o Criador haver “de tal modo constituído o homem, que ele deseja e necessita do direito à exclusiva posse e gozo de certas coisas. […] [Essa] é a única segurança para o indivíduo e para a sociedade” (Charles Hodge). Assim, o mandamento nos proíbe de tomar injustamente qualquer coisa que não seja propriamente nossa. O furto pode assumir muitas formas, incluindo o roubo (Marcos 10.19), o seqüestro (Êxodo 21.16), o tráfico de seres humanos (1 Timóteo 1.10), a receptação de coisas furtadas (Provérbios 29.24), as transações fraudulentas (1 Timóteo 3.8), o uso de pesos e medidas falsos (Provérbios 20.10), a violação dos marcos de propriedade (Deuteronômio 19.14), a injustiça nos contratos (Deuteronômio 24.15), a extorsão (Salmo 62.10), os contratos de empréstimo imorais (Salmo 37.21), o tomar emprestado e não devolver (Êxodo 22.14), o ingresso em demandas forenses injustas (1 Coríntios 6.7), o plágio e assim por diante (ver Catecismo Maior de Westminster, P&R 142). O furto envolve não apenas a propriedade tangível, mas também reputações e idéias. Nossos tempos modernos e tecnologicamente avançados trouxeram à tona inúmeros modos de o coração pecaminoso e maquinador obter aquilo que não é seu por direito.
Na grande cidade de Éfeso, Paulo ministrou por três anos em sua terceira jornada missionária. Ele passou dois daqueles anos na escola de Tirano (Atos 19.9-10). Depois de ensinar durante o dia e passar tempo com seus pupilos, Paulo provavelmente se ocupava em seu ofício de fazer tendas, no amanhecer e no entardecer. Não surpreende, portanto, que ele diga na epístola aos Efésios: “Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade” (Efésios 4.28). Em síntese, ele condena o furto e recomenda o trabalho diligente.
Isso naturalmente nos leva a considerar os deveres requeridos no oitavo mandamento, isto é, “a lícita obtenção e aumento das riquezas e do estado exterior, tanto nosso como do nosso próximo” (Breve Catecismo de Westminster, P&R 74). Nós recebemos a oportunidade e o privilégio de trabalhar, a fim de encontrarmos satisfação e realização no trabalho, de modo que possamos licitamente sustentar a nós mesmos e nossa família, assim como estar aptos a aliviar, de modo caridoso e generoso, as necessidades legítimas de outros. Desse modo, o nosso trabalho deve ser feito com diligência e alegria, pela percepção de que, em última instância, estamos servindo ao Senhor e Cristo (Colossenses 3.23-24). Paulo disse com franqueza aos crentes de Tessalônica: “Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3.10). Ele falou isso como ummandamento (vv. 10, 12), não uma sugestão. Quando o final do dia chega, depois de havermos labutado com diligência e honestidade (e alegria) e colhido o fruto de nossos esforços, precisamos reconhecer que tudo o que temos vem da mão bondosa e graciosa de Deus. Ele escolheu nos abençoar e aquilo que recebemos dele não nos foi dado para desperdiçarmos, abusarmos ou perdermos. “O que é negligente na sua obra é também irmão do desperdiçador” (Provérbios 18.9, ACF).
O que aconteceu com o Sr. Homem-mau afinal? Ele chegou ao fim de sua vida enfermo em seu corpo e tão desesperadamente perdido quanto o ladrão impenitente do Calvário. A fim de não pensarmos presunçosamente que não somos semelhantes a ele em seu caminho de roubo, precisamos ser lembrados de que somos todos violadores da lei. Nossos primeiros pais furtaram da árvore proibida e todos os seus descendentes têm sido ladrões desde então. Os ladrões de todos os demais violadores da lei de Deus precisam ser lavados, santificados e justificados por intervenção divina (1 Coríntios 6.10-11). Contudo, o fato de vivermos como pecadores perdoados que foram lavados no sangue de Cristo não nos isenta da tentação de furtar. Precisamos vigiar atenta e constantemente os nossos corações e estar cônscios das sutilezas do pecado e da ardileza do tentador. Sendo assim, que lutemos para viver de modo irrepreensível, de modo a não levantar em ninguém a menor suspeita de que sejamos parentes do Sr. Homem-mau.

Notas:
[1] N.T.: “The Life and Death of Mr. Badman”, sem tradução em português.
Por: Robert W. Carver. © 2015 Ligonier Ministries. Original: You Shall Not Steal.
Este artigo faz parte da edição de junho de 2015 da revista Tabletalk.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Não Furtarás.
Robert W. Carver é professor assistente de Grego e Bíblia na Clearwater Christian College em Clearwater, Florid

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 7:2-12

O amor de Cristo impulsionava Paulo em relação aos coríntios. Esse amor continuava tão verdadeiro e tão grande como quando ele escreveu sua primeira e severa carta. Nunca esqueçamos que aqueles que nos reprovam e nos advertem com mais severidade são geralmente os que mais nos amam (Apocalipse 3:19).
A igreja já tinha julgado o mal que havia no meio dela; tinha demonstrado que era reta e limpa (v. 11): se ela tolerou algum terrível pecado, fez isso na ignorância e na negligência. Contudo, os coríntios precisaram humilhar-se por não terem vigiado, permitindo assim que semelhante mal aparecesse no meio deles, sendo contristados segundo Deus.
O versículo 10 nos mostra que o simples pesar, a vergonha e o remorso não são sinônimos de arrependimento. Este último consiste em julgar os nossos pecados da mesma maneira que Deus os julga, em reconhecer o mal e abandoná-lo, não importa se os atos tenham sido cometidos antes ou depois da conversão (Provérbios 28:13). O arrependimento é o primeiro fruto da fé. Ser contristado segundo Deus é, pois, motivo de alegria (v. 9). Será que você, leitor querido, já experimentou o verdadeiro arrependimento?

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 6:1-18 e 7:1

"Muita paciência" é a recomendação para os servos de Deus (v. 4; 12:12). Melhor que qualquer discurso, a maneira como Paulo suportava as provações demonstrava o valor de seu Evangelho.
Que estranha pessoa o cristão é! De certo modo, pode-se dizer que ele tem duas faces. Aos olhos do mundo parece estar em opróbrio, sendo enganado, desconhecido... entristecido, pobre, sem nada. Mas o que ele é diante de Deus? Veraz, bem conhecido, sempre alegre, enfim, possuindo tudo (vv. 8-10). Esta é sua verdadeira face.
As exortações que se seguem podem parecer radicais e severas. Mas elas vieram do "coração alargado" do apóstolo (v. 11). A palavra separação nos desencoraja; contudo, quem fala sobre santidade está falando sobre separação para Deus (Levítico 20:26). "Aperfeiçoar a nossa santidade" (7:1) equivale necessariamente a praticar a separação. Separação do mundo (vv. 14-15) não se aplica somente aos planos de casamento desigual. A separação do mundo religioso (vv. 16-18) tem incomparáveis recompensas: a presença do Senhor Jesus "em meio" aos Seus e o desfrutar de benditas relações com o nosso Deus e Pai. Por fim, há a separação do mal sob qualquer aspecto.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 5:11-21

O apóstolo Paulo desejava ardentemente a glória celestial (v. 2), mas, enquanto esperava por ela, com o mesmo ardor procurava ser agradável ao Senhor (v. 9). Não vivia mais para si mesmo; com o corpo e com a alma, ele era escravo de Cristo, que por ele morreu e ressuscitou (v. 15). O Senhor o havia chamado - bem como a todo o redimido - para ocupar uma altíssima função: a de embaixador do soberano Deus, a fim de oferecer, da parte dEle, a reconciliação ao mundo. No intuito de cumprir essa missão e persuadir os homens, duas grandes razões impulsionavam o apóstolo: a consciência do juízo, pois ele conhecia o temor devido ao Senhor (v. 11); e o amor de Cristo pelos homens, amor sem o qual o mais eloqüente dos pregadores não é mais do que o bronze que ressoa (v. 14; 1 Coríntios 13:1).
Em que consiste a mensagem da reconciliação? Cristo, o único homem sem pecado, foi identificado na cruz com o próprio pecado, a fim de expiá-lo. Assim, pela graça, Deus anulou o pecado que nos separava dEle (v. 21). "As cousas antigas já passaram." Deus não as conserta. Ele se agrada em fazê-las novas, sim, em fazer de cada crente uma nova criatura (v. 17). Mas, antes de tudo, você está reconciliado com Ele?

Reconquistando seu cérebro de volta da pornografia




No artigo anterior, eu escrevi sobre a dimensão fisiológica do vício em pornografia. Uma nova pesquisa neurológica sugere que ela é tão poderosa quanto o vício em cocaína e heroína devido a singular combinação de estimulante e relaxante. A pornografia imprime verdadeiros caminhos fisiológicos no cérebro. Toda a experiência sexual tende a migrar para esses caminhos.
Eu concluí dizendo que nenhuma dessas pesquisas neurológicas surpreende Deus. Ele estruturou a interconexão entre o cérebro e a alma. Descobertas sobre as conexões entre a realidade física e a espiritual não anulam tais realidades.

Não tome parte na abolição do homem

Não permita que essa nova pesquisa neurológica faça com que você veja a si mesmo somente como carne e reações químicas. Este é o grande mito do mundo moderno – o que C.S. Lewis chamava de a abolição do homem. Essa é a teoria de que o pensamento humano é nada mais que movimentos no cérebro. É uma teoria desenvolvida para destruir a si mesma.
Lewis percebeu os tentáculos do materialismo alcançando cada esfera:
Sempre haverá evidências, e todo mês novas evidências, para mostrar que a religião é apenas psicológica; a justiça, apenas autoproteção; a política, apenas economia; o amor, apenas sensualidade; e o próprio pensamento, apenas bioquímica cerebral. (LEWIS, C.S. O peso de glória, (São Paulo: Vida, 2008), 111-112)
Mas Lewis percebeu que ninguém realmente age como se cresse nisto. Eles estão jogando um jogo de linguagem. Ele ilustra isso com a relação entre o pensamento e o cérebro:
Estamos certos de que nesta vida, de qualquer forma, o pensamento está intimamente ligado ao cérebro. A teoria de que o pensamento é, portanto, meramente um movimento no cérebro é desprovida de sentido, em minha opinião, pois, se assim fosse, a própria teoria seria meramente um movimento, um acontecimento entre átomos, que pode ter velocidade e direção, mas para o qual não teria nenhum sentido usar as palavras “verdadeiro” e “falso”. (LEWIS, C.S. O peso de glória, (São Paulo: Vida, 2008), 102)
Lewis não está fazendo um jogo de inversão. Ele está convicto de que os que apoiam a abolição do homem estão se recusando a enxergar que enquanto fazem suas declarações, cheias de significado, destroem o significado em si.

Tome as rédeas da conexão mente-corpo

O significado está enraizado em verdade supramaterial. Você não é mera matéria e energia. Você é uma alma num corpo que viverá para sempre no céu ou no inferno, criado à imagem de Deus, diferente de meros animais, e, enquanto cristão, comprado com o sangue do Filho de Deus e habitado pelo próprio Espírito de Deus. Existem realidades estupendas – realidades maiores do que endorfinas e dopaminas.
Deus uniu nervos físicos e afeições espirituais suprafísicas – desejo, medo, alegria, raiva, pena, admiração, confiança, carinho, amor. Ao invés de deixar esta conexão o desencorajar, tome as rédeas dela e faça-a servir a sua santidade. É isto que a Bíblia o chama a fazer.
Não pense que a Bíblia está em silêncio nesta importante questão sobre a mente e o corpo – pensamentos e cérebro, afeições e química. Deus fez estas conexões entre o físico e o suprafísico e Deus possui a sabedoria para se viver em ambas.
Considere estas quatro observações cheias de esperança.

1. Renovação profunda, incluindo seu cérebro.

A neurologia é uma ciência recém-nascida, publicando seus primeiros passos. Ela mal começou a nomear os mistérios de como verdade e beleza são medidas por meio da linguagem, daí adentram o cérebro como pensamento e por fim são transpostos para os processos químicos correspondentes.
Por essa razão devemos nos apossar desta maravilhosa conexão e afirmar o que a Bíblia afirma: Contemplando a glória do Senhor estamos sendo transformados (2 Coríntios 3.18). Claro que ver nudez muda o cérebro. Mas por que deveríamos pensar que ver a glória de Deus exerceria uma mudança menor? Se trilhas neurológicas pervertem nossas afeições e nosso comportamento, não cometa o enorme engano de acreditar que a santificação pode marcar caminhos com menos eficácia.
Paulo chama você a ser renovado “no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.” (Efésios 4.23,24 NVI). Tenha cuidado, para que você não acredite que a renovação “no modo de pensar” não imprima caminhos no cérebro. Ela o faz. Paulo afirma, “E vos vestistes do novo [homem], que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;” (Colossenses 3.10). Se ver pornografia na internet cria novos caminhos no cérebro, quanto mais ver a Cristo – a visão espiritual “do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4.4). Nós não fomos abandonados para criar novos cérebros por nós mesmos: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus” (Efésios 2.10). Não seja intimidado por pesquisas sobre o cérebro. Deus fez o cérebro e escreveu o Livro.

2. Cristo ensanguentado, cheiros ruins e ursos.

Além disso, sabemos por experiência que não somos escravos dessas poderosas mudanças pornográficas em nossos cérebros. Eu não as diminuo. Julgando pelos efeitos, mesmo estando na casa dos sessenta, da minha tolice adolescente, eu tenho experimentado o poderoso poder de fixação de antigos padrões pecaminosos. Mas não somos cavalos ou mulas que são guiados somente por meio de cabresto e freio (Salmo 32.9)
Você sabe disso. Se você estivesse sendo arrastado por um grande desejo sexual para pornografia, e Jesus em pessoa estivesse em pé na sua frente no seu quarto, coberto de sangue, mãos trêmulas de dor, olhos brilhando de amor, respirando pesado como um homem prestes a morrer, você sabe – sim, você sabe – que teria a capacidade naquele momento de não olhar para pornografia enquanto Jesus estivesse ali em pé. Você não está escravizado. Os caminhos neurológicos “bem pavimentados” no seu cérebro não venceriam. Eles não são Deus. Eles não têm a última palavra.
Ou apenas no nível físico, você sabe por experiência que um mero odor – digamos de fezes humanas ou lixo apodrecido ou de suas próprias axilas podem derrubar seu apetite sexual. O que isto significa? Significa que os caminhos neurológicos não são definitivos. Eles podem ser interrompidos. Você não é uma simples vítima.
Ou considere isto. Você está prestes a cometer uma imoralidade sexual numa barraca no meio da floresta. Você nunca imaginou que chegaria a esse ponto, mas a onda de desejo simplesmente dominou você. Ou será que dominou? E se, no momento mais intenso de paixão, bem antes do ato em si, você ouvisse o barulho de um urso e visse sua silhueta enorme na lateral da barraca, você seria escravo do seu desejo? Ou o medo não triunfaria sobre essas reações químicas?
Cuidado para não pensar que você é uma vítima do efeito eufórico da dopamina e da endorfina. Você não é. Deus tem meios de revelar seu Cristo ensanguentado, fazê-lo tropeçar com cheiros ruins e ursos para resgatá-lo para si mesmo. Ele chegará a este nível por amor.

3. Satanás, sexo e reações químicas.

Emoções supraquímicas – afeições espirituais – são transpostas de forma a corresponder a respostas físicas no cérebro. Isso significa que você pode combater armas físicas com armas espirituais. Da mesma forma funciona o caminho inverso. Deus ordena que lutemos para dar fruto espiritual manejando armas fisiológicas com mãos espirituais.
Você já pensou sobre as implicações impactantes do conselho sexual de Paulo para derrotar Satanás em 1 Coríntios 7.5? Tenham cuidado os solteiros. Você pode pular para a conclusão de que isto é irrelevante para você ou má notícia. Mas não é. Paulo diz a maridos e esposas, que não privem um ao outro [de relações sexuais], a não ser por consentimento mútuo por algum tempo, para se aplicarem a oração; mas então devem se unir de novo, para que Satanás não tente você por sua falta de domínio próprio.
Isto implica que Paulo pretende que casais cristãos lutem contra o poder sobrenatural de Satanás tendo relações sexuais com frequência suficiente. Para estabelecer o ponto em termos fisiológicos: há substâncias químicas no cérebro que aumentam o desejo por sexo à medida que a abstinência aumenta. O poder dessas substâncias diminui depois do orgasmo. Então, Paulo diz, faça uso desta realidade fisiológica no casamento para reduzir sua vulnerabilidade às tentações de Satanás de adultério e pornografia.
Claro que esta não é a única ou a principal arma em nosso arsenal. Mas é uma delas. E ilustra a validade de usar armas fisiológicas contra inimigos fisiológicos. Os solteiros poderão dizer com razão, “Eu não tenho esta arma própria do casamento em meu arsenal”. É verdade. E eu o admiro por dizer isto. Mas aproprie-se do princípio da forma que se aplica a você. Existem realidades fisiológicas que você sabe que afetam sua vulnerabilidade para tentação. Use-as para fazer guerra.

4. O Espírito Santo, sono e domínio próprio.

Mas isso é espiritual? O domínio próprio não é um “fruto do Espírito”, ao invés de ser fruto de relações sexuais frequentes?
Esse é um fruto do Espírito (Gálatas 5.23), mas não “ao invés” de ser um fruto de outra natureza. A maneira do Espírito produzir seu fruto frequentemente inclui meios muito naturais. Por exemplo, outro fruto do Espírito é paciência (Gálatas 5.22). Mas qual de nós pode negar que nossa paciência aumenta ou diminui dependendo de quanto sono conseguimos ter? O amor, diz Paulo, é “paciente… não se ira facilmente” (1 Coríntios 13.4-5 NVI). Mas ficamos irados com mais facilidade e menos pacientes quando não conseguimos o descanso necessário.
O que quero inferir disto é que uma das muitas armas no arsenal do Espírito Santo é o sono. Este nos torna humildes para perceber que não somos Deus e que precisamos ficar tão indefesos quanto um bebê por sete a oito horas por dia, para que possamos ser a pessoa amável e paciente que Ele nos chama a ser.
É semelhante no domínio próprio sexual. O Espírito Santo nos ensina por meio das Escrituras, pelas experiências e uns dos outros, como nosso corpo funciona. Ele quer que nos apoiemos em seu poder enquanto fazemos uso das armas fisiológicas de contra-ataque que Ele nos dá.

Encontrando verdadeiro êxtase

A pesquisa neurológica está certa: nossos cérebros são profundamente afetados pelo que vemos. E quanto mais vemos, mais bem estabelecidos e controladores estes caminhos se tornam. Mas não somos suas vítimas. Esses poderes fisiológicos não tem a palavra final. Deus tem a palavra final. E ele nos deu armas espirituais tão poderosas, em termos fisiológicos, quanto à pornografia. Ele deseja ser visto por nós – frequente e profundamente (2 Coríntios 3.18; 4.4).
Além do mais, o poder espiritual de sua Palavra e do seu Espírito tem o direito de usar forças fisiológicas a seu serviço. E no fim, Deus pode reconquistar os caminhos cerebrais da pornografia e transpor esses pulsos para o verdadeiro êxtase de conhecer a Cristo.
Por: John Piper. © 2013 Desiring God. Original: Hijacking Back Your Brain from Porn.
Tradução: Fábio Luciano. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2015 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: VoltemosAoEvangelho.com.br. Original: Reconquistando seu cérebro de volta da pornografia.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 4:16-18 e 5:1-10

Quanto cuidado nós dispensamos para conservar e aprimorar o "nosso homem exterior"! (v. 16). Que bom seria se o "nosso homem interior" fosse tão bem tratado como o exterior! O que renovava o coração do apóstolo era esse eterno peso de glória, sem nenhuma comparação com as tribulações que estava passando. Andando "por fé" e não por vista (v. 7), com os olhos da alma fixados nas coisas que não se vêem, mas que são eternas, ele desfrutava do penhor do Espírito (v. 5). Esta é a razão pela qual o apóstolo não desfalecia (4:1 e 16).
A idéia do tribunal de Cristo deveria produzir constantemente em nosso coração muito temor e ardor! Nossa salvação está assegurada; não compareceremos para condenação, mas, como num filme, nossa vida inteira será mostrada, revelando tudo o que fizemos, "o bem ou o mal", e então receberemos o nosso galardão. Porém, ao mesmo tempo, o Senhor nos mostrará como a Sua graça brilhou, mesmo através de nossos pecados. Um artista que acabou de restaurar um retrato deteriorado enfatiza seu trabalho colocando ao lado a foto original. Como freqüentemente somos insensíveis ao pecado, também subestimamos a graça que nos perdoa e nos suporta. O tribunal de Cristo nos fará experimentar toda a imensidão dessa graça.




O Breve Catecismo de Westminster afirma que o sétimo mandamento “exige a conservação da nossa própria castidade e da do nosso próximo, no coração, nas palavras e no comportamento” (P&R 71). Dito de outro modo, o sétimo mandamento nos chama a mais do que a mera abstenção da atividade sexual fora da união em uma só carne que é o casamento. Também nos chama à pureza sexual no pensamento e nas palavras.
À medida que certas expressões da sexualidade – outrora consideradas tabu – se tornam comuns e à medida que colegas, amigos e até membros da família compartilham notícias de um divórcio sem investigação de culpa,[1] de um relacionamento homossexual ou de uma união estável, mais e mais cristãos – especialmente quando amizades e laços familiares estão em jogo – se sentem impelidos a simpatizar em vez de condenar, a apoiar em vez de se afastar, de afirmar em vez de rejeitar. Contudo, ainda pesa sobre nós a obrigação de lutar com o texto bíblico.
Jesus afirma que, desde o princípio, Deus “os fez homem e mulher […], tornando-se os dois uma só carne”. Alguém qualificado para o presbitério deve ou ser solteiro e casto ou um homem de uma só mulher – o “marido de uma só esposa”. Jesus restaura a dignidade de uma mulher pega em adultério, mas também lhe diz que ela precisa parar de adulterar (João 7.53-8.11). Ele chama os escribas e fariseus para uma aplicação mais profunda e verdadeira do princípio da castidade. Até a luxúria – o ato de fantasiar com mulheres em geral em vez de desejar pactualmente uma mulher em particular – vem de uma imaginação adúltera (Mateus 5.27-30).
Com a pornografia, a cultura do “ficar” e expressões não convencionais da sexualidade se tornando comuns, o clássico ensinamento bíblico está se tornando menos popular em nossos tempos modernos. Contudo, se a verdadeira relevância da Escritura está no fato de que a Escritura não demonstra nenhum interesse em ser relevante – isto é, ela não demonstra nenhum interesse em ser adaptada, revisada ou censurada apenas para acompanhar as novidades do dia –, então a questão sexual é uma com a qual os crentes sinceros devem lidar. Devemos permanecer comprometidos em ser contraculturais sempre que a cultura e a verdade estiverem em conflito uma com a outra. Isso, somente isso, é o que tornará os cristãos verdadeiramente relevantes na cultura.
Jesus, que permaneceu um homem solteiro e celibatário por toda a vida, aprovou o sexo na relação marital entre homem e mulher. Ele inventou o sexo. Sexo não é proibido. Não é tabu. É uma dádiva, um convite ao marido e à mulher para que desfrutem do Éden juntos – nus e sem vergonha, íntimos e abraçados, expostos e não rejeitados. Provérbios convida o marido a encontrar satisfação nos seios da sua esposa. Cantares de Salomão retrata um marido e sua mulher admirando-se e ousadamente desfrutando o corpo nu um do outro. Paulo, também solteiro e celibatário, diz que, exceto para curtos períodos de oração, um marido e uma esposa fisicamente sãos devem entregar-se um ao outro sexualmente. A história culminará na consumação entre Jesus e sua noiva, a igreja – um “grande mistério” que todo crente, casado ou solteiro, pode antever no novo céu e na nova terra. E, contudo, a porneia – a abrangente palavra grega para a imoralidade sexual – representa qualquer afastamento da união marital entre homem e mulher.
Por que a Escritura é aparentemente tão liberal com respeito ao sexo dentro do casamento heterossexual, mas tão limitadora para qualquer outro cenário? Tim Keller diz que isso é porque o sexo é a mais prazerosa e a mais perigosa de todas as faculdades humanas. O sexo se parece muito com o fogo. Pode aquecer, confortar e purificar. Mas, se não for manejado com cuidado, pode também queimar, infectar, escoriar e destruir. Eu vi isso acontecer em inúmeras situações pastorais ao longo dos anos. “Há caminho que ao homem parece direito”, diz o provérbio sagrado, “mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Provérbios 14.12).
Sendo assim, qual é o caminho reto nesta questão? Pretendo propor algo fora da caixa. E se nós cristãos, especialmente aqueles de nós que desejam ser sal e luz na cultura, mas que ainda afirmam a antiga visão judaico-cristã para o sexo, ficássemos mais preocupados com a ética sexual bíblica “aqui dentro” do que com aquela “lá fora”?
A sábia e fascinante Madeleine L’Engle nos ajuda com o seu lembrete de que “nós conduzimos pessoas a Cristo […] ao lhes mostrarmos uma luz tão encantadora que elas desejarão, de todo o coração, conhecer a sua fonte”.
A proclamação da luz será um tiro pela culatra onde não houver a demonstração da luz. Em vez de condenar o “sexo na cidade”, e se voltássemos a nossa atenção para sermos e nos tornarmos a “cidade edificada sobre um monte” a qual Jesus deseja que sejamos?
E se afirmássemos que ser solteiro e sexualmente casto (como Paulo e Jesus) é um chamado nobre, frutífero e “muito melhor”? E se começássemos a nos arrepender da casamentolatria, voltando a nossa ênfase para aquele casamento do qual todos os outros são apenas sombra – a união mística entre Jesus e a Noiva, a qual inclui os todos os crentes, maridos e mulheres, mas também viúvos e viúvas, divorciados e outros homens e mulheres não casados? E se focarmos em redimir a sexualidade na igreja primeiro, arrependendo-nos da pornografia, das piadas vulgares, dos comportamentos e vestes imodestos e outros hábitos que objetificam a imagem de Deus? E se nos tornarmos intencionais em reduzir o número de divórcios nos casos em que não há fundamento bíblico e nutrirmos o amor, as conversas demoradas, o andar de mãos dadas, a fidelidade, o perdão, o viver face a face (em intimidade) e também lado a lado (em missão) dentro dos casamentos?
Pois, a menos e até que nos tornemos esse tipo de comunidade contracultural entre nós mesmos, as pessoas “lá fora” farão ouvidos de mercador para todo o nosso zelo pela castidade bíblica. E com razão.
Rev. Scott Sauls é pastor titular da Christ Presbyterian Church em Nashville, Tennessee, EUA, e autor de Jesus Outside the Lines: A Way Forward for Those Who Are Tired of Taking Sides. Ele está no Twitter em @ScottSauls.
[1] N.T.: Divórcio sem investigação de culpa (no-fault divorce) se refere à possibilidade jurídica de um cônjuge requerer a dissolução do casamento sem precisar alegar a violação de um dever conjugal (por exemplo, os deveres de fidelidade ou de coabitação) da outra parte. Embora sejam comuns atualmente, legislações que permitem o divórcio sem investigação surgiram no Ocidente apenas na década de 1960.
Por: Scott Sauls. © 2015 Ligonier Ministries. Original: You Shall Not Commit Adultery.
Este artigo faz parte da edição de Junho de 2015 da revista Tabletalk.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2015 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Não Adulterarás.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
Rev. Scott Sauls é pastor titular da Christ Presbyterian Church em Nashville, Tennessee, EUA, e autor de Jesus Outside the Lines: A Way Forward for Those Who Are Tired of Taking Sides. Ele está no Twitter em @ScottSauls.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 4:1-15

Como o apóstolo, será que nós já "rejeitamos as cousas que, por vergonhosas, se ocultam"? (v. 2). O coração de Paulo era como um espelho; refletia fielmente ao redor de si cada raio que recebia. E qual era o objeto que brilhava nele e refletia a todos os homens? A "glória de Deus na face de Cristo" (v. 6). Que tesouro era para Paulo esse conhecimento de Cristo na glória! Ele era apenas um vaso de barro que continha esse conhecimento, um vaso pobre, frágil e sem valor próprio. Se o instrumento de Deus se fizesse notar através de brilhantes qualidades humanas, ele chamaria a atenção para si mesmo em detrimento do tesouro que deveria apresentar. Os joalheiros sabem que um estojo muito luxuoso tende a eclipsar a jóia contida nele. Eles expõem suas mais belas jóias sobre um simples veludo preto. Do mesmo modo, o vaso de barro - Paulo - estava atribulado, perplexo, perseguido, abatido, para que o tesouro - a vida de Cristo nele - fosse plenamente manifestado (v. 10). As provas de um crente servem para remover dele qualquer brilho pessoal, a fim de que na vida dele resplandeça apenas a luz de Jesus, o Filho de Deus.

domingo, 23 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 3:1-18

Os homens julgavam a doutrina pregada por Paulo observando o comportamento dos coríntios. Eles eram sua vivas "cartas de recomendação", ou melhor, as de Cristo, cujo nome estava escrito em seus corações. Cada cristão é uma "carta de Cristo" que Deus escreve aos que não lêem a Bíblia para que vejam o Evangelho vivido. Mas, infelizmente, muitas dessas cartas estão manchadas ou indecifráveis, em vez de serem conhecidas e lidas por todos os homens (v. 2). Cuidemos, pois, para que não haja nenhum véu sobre o nosso rosto que nos impeça de irradiar o esplendor cristão: o véu das preocupações, do egoísmo, do mundanismo etc. Mas, acima de tudo, cuidemos para que não haja sobre o nosso coração um véu (por exemplo, o de uma má consciência; v. 15) que intercepte os raios que devemos receber de Cristo, o qual é amor e luz. Se escondermos uma pequena planta num lugar escuro, logo ela murchará. Ao contrário, se a colocarmos num lugar onde possa receber normalmente o sol e a chuva, ela crescerá e no tempo adequado estará carregada de frutos. O mesmo acontece com nossa alma. Se ela estiver na presença de Cristo, será gradualmente transformada à semelhança das perfeições morais dAquele a quem contemplamos em Sua Palavra (v. 18).

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 1:12-24

Não era costume de Paulo dizer sim e pensar não (v. 17). Os coríntios podiam confiar nele: não havia no apóstolo nenhum traço de dissimulação, e ele dava prova de sua sinceridade tanto nos seus atos e no seu cotidiano como na pregação de um Evangelho não falsificado (2:17; 4:2). Quão importante isso é! Se um filho de Deus falta com a verdade, os que o observam podem até mesmo pôr em dúvida a Palavra de Deus. Paulo manifestava absoluta retidão tanto em suas relações com o mundo como em suas relações com outros cristãos (v. 12). Afinal, ele não era o mensageiro dAquele que é "o Amém, a testemunha fiel e verdadeira", o Fiador de todas as promessas de Deus? (v. 20; Apocalipse 3:14).
Os versículos 21 e 22 nos fazem recordar de três características do dom do Espírito Santo: através dEle, Deus nos "ungiu", ou seja, nos consagrou para Si mesmo e nos deu o poder de penetrar em Seus pensamentos. Ele nos "selou", ou, em outras palavras, nos marcou como Sua possessão. Finalmente, Ele nos "deu o penhor" de nossa herança celestial, ao nos conceder ao mesmo tempo uma prova inicial dessa realidade e o meio para dela desfrutar desde já "em nossos corações".

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

2 Coríntios 1:1-11

O apóstolo Paulo não havia escrito a primeira carta aos coríntios como um crítico ou severo juiz. Ele mesmo tinha sido humilhado e perturbado pelas notícias recebidas desta igreja e, ainda mais, pois elas haviam chegado em um momento de extrema aflição na cidade de Éfeso, na qual ele tinha muitos adversários (v. 8; 1 Coríntios 16:9).
Porém, tanta tribulação ainda pode ser motivo de dar graças, pois produz uma dupla e preciosa conseqüência. Primeiramente, faz o crente perder toda a autoconfiança (v. 9). Em segundo lugar, leva-o a entrar nas profundezas das simpatias do Senhor. A abundância de sofrimentos revelou ao apóstolo a abundância de consolação (v. 5). A consolação é sempre pessoal, mas aquele que é consolado pode compartilhar das dores dos outros e expressar genuína simpatia por eles. O fato de haver passado pelas provas com o sustento do Senhor qualifica o crente a falar aos que estão aflitos e dirigir-lhes os olhos ao "Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda a consolação!" (v. 3).

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 16:10-24

Estes versículos contêm as últimas recomendações do apóstolo, algumas notícias e finalmente as saudações que ele dirige aos seus queridos coríntios. Dentre eles, Paulo se alegra em destacar alguns irmãos abnegados e dignos de respeito: Estéfanas, Fortunato e Acaico, citando-os como exemplo (1 Timóteo 3:13).
Aos crentes de Corinto, que só se preocupavam com os resultados exteriores e espetaculares do cristianismo, Paulo enfatiza quais eram os motivos que deveriam dirigir suas ações: "Fazei tudo para a glória de Deus" (10:31). "Seja tudo feito para a edificação" (14:26). "Tudo, porém, seja feito com decência e ordem" (14:40). Finalmente, neste capítulo: "Todos os vossos atos sejam feitos com amor" (v. 14). Com a palavra "amor", Paulo termina uma epístola muito severa (comparar 2 Coríntios 7:8). Sem levar em consideração as divisões que existiam em Corinto, ele declara: "O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus". Para os que não O amam, a vinda de Jesus tem um solene aspecto; já para aqueles que amam ao Senhor, "Maranata"!, ou seja, "Vem, Senhor Jesus", é o mais profundo anelo da alma. Que possamos esperá-LO com gozo!

Nove Passos que Podem Salvar Seu Casamento


A graça de Deus é paciente e trabalha tanto instantaneamente quanto com o passar do tempo. Um erro que cometemos às vezes é idealizar demais, como se não pudéssemos ser perdoados mais de uma vez quando cometemos erros.
O modo de enxergar estes passos para salvar seu casamento biblicamente é como uma forma de colocar em prática Colossenses 3:13: “Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro.” Aí temos “suportando” e temos “perdoando”. Como essas coisas se relacionam no casamento?
Aqui está um jeito que eu tenho em mente. Eu descreverei nove etapas para chegar à reconciliação com sua esposa (ou marido, ou amigo(a), ou colega). Algo assim é necessário quando se é pecador demais para se desculpar sinceramente na primeira vez. Isso é uma experiência real mais frequente do que eu gostaria de admitir e, de uma outra forma, menos frequente do que o necessário. (Esposas e maridos, leiam as etapas se colocando nos dois papéis.)
1º Passo. Sua esposa reclama de algo que você disse ou fez de errado ou que ela não gosta.
2º Passo. Você se irrita. (Por cinco ou seis motivos que te parecem razoáveis no momento).
3º Passo. A graça te faz ver que essa raiva não vem de Deus e que você deve se desculpar sinceramente, tanto pelo que ela reclamou quanto pela raiva.
4º Passo. Você se desculpa, mas consegue apenas dizer as palavras, não se sente arrependido, porque a raiva endureceu seu coração contra a sua esposa. Você não se sente sensibilizado, você não se sente quebrantado, você não se arrependeu. Mas você diz “me desculpe” porque sabe que deve. Isso é melhor do que o silêncio. Isso é uma graça parcial.
5º Passo. Ela sente que você está zangado e, compreensivelmente, não fica satisfeita com palavras que não trazem um arrependimento profundo e sincero.
6º Passo. O tempo passa. Vinte e quatro horas? Dois dias? O Espírito Santo, sempre paciente e incessantemente santo, não te deixará. Ele trabalha contra a raiva (Tiago 1:19-20). Ele desperta verdades do evangelho (Efésios 4:32). Ele amolece o coração (Ezequiel 36:26). Isso pode ser através da leitura da Bíblia, da palavra de um amigo, da leitura de um livro, da ida a um culto. Enquanto isso sua esposa está aguardando, pensando, orando, esperando.
7º Passo. A raiva diminui. A suavidade aumenta. O carinho é despertado. A tristeza pelo pecado cresce.
8º Passo. Você chama sua esposa e diz à ela que seu primeiro pedido de desculpas foi o melhor que você pôde fazer naquela hora por causa do seu pecado. Você admite que foi insuficiente. Você diz com carinho o que você sente por ela, e se desculpa de coração, e pede pra que ela te perdoe.
9º Passo. Em misericórdia, ela perdoa e tudo fica melhor.
O que eu espero que você faça é conversar com o seu cônjuge para ver se isso se encaixa na experiência de vocês. Uma das importâncias de desenvolver esse possível padrão no seu conjunto de expectativas é que vocês podem dar um desconto (chamado misericórdia) um ao outro, para que nenhum dos dois se sinta desesperado no 6º Passo.
Por: John Piper. © 2012 Desiring God. Original: Nove Passos que Podem Salvar Seu Casamento.
John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 15:51-58; 16:1-9

Esta magistral exposição da doutrina da ressurreição não estaria completa sem uma última revelação: nem todos os crentes passarão pelo sono da morte. Os vivos não serão esquecidos quando Jesus vier. "Num abrir e fechar de olhos", a maravilhosa transformação ocorrerá e tornará cada crente apto para a presença de Deus. Do mesmo modo que, na parábola, os convidados deveriam trocar seus farrapos por vestes nupciais (Mateus 22:1-14), os mortos e vivos vestirão um corpo incorruptível e imortal. Então a vitória de Cristo sobre a morte, da qual Ele nos deu uma prova através de Sua própria ressurreição, terá um grandioso cumprimento nos Seus.
Como todas as verdades bíblicas, este "mistério" deve ter uma conseqüência prática na vida de cada redimido. Nossa esperança é segura e firme (Hebreus 6:19); sejamos também "firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor". Nosso trabalho nunca será vão se feito "no Senhor" (v. 58). Ainda que nenhum fruto seja visível neste mundo, haverá uma recompensa na ressurreição.
O capítulo 16 nos dá um exemplo de serviço cristão: a coleta feita no primeiro dia da semana. Isso era muito importante para o coração do apóstolo e para o coração do Senhor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 15:35-50

Como será o novo corpo que o crente terá na glória? (v. 35). A Bíblia não satisfaz a nossa curiosidade. Se eu apresentar ao leitor uma semente desconhecida, não poderá dizer-me quase nada a respeito da planta que dela sairá. Igualmente, quando se vê uma lagarta repugnante e feia, nem se imagina a maravilhosa e colorida borboleta na qual ela se transformará.
Porém, para assistir aos pequenos milagres da germinação ou da metamorfose, é necessária a morte da semente (João 12:24) e o sono da crisálida. Do mesmo modo, o redimido que "dormiu" aparecerá vestido do corpo da ressurreição. Que futuro fantástico está preparado para este corpo feito do pó da terra, mero envoltório da alma! Ressuscitará "na incorrupção": a morte não terá mais poder sobre ele; "em glória" e "em poder": não mais sujeito às doenças ou à fraqueza; "corpo espiritual": definitivamente livre da carne e de seus desejos, instrumento perfeito do Espírito Santo. Finalmente será semelhante ao corpo do Cristo ressuscitado. Estes versículos nos dão bastantes e preciosas informações sobre o nosso futuro e mais razões ainda para glorificar a Deus desde agora em nosso corpo.




A Bíblia começa com o Deus vivo criando coisas vivas. Todas as coisas são dele, por ele e para ele (Romanos 11.36). Tudo na vida deve sua existência a ele. Ele anima todas as coisas. Em resumo, ele é o Deus da vida, um Deus que é vivo e que gera coisas vivas. Mesmo quando o diabo tentou frustrar o seu espetáculo vivo, introduzindo a morte – espiritual e física –, Deus a sobrepujou por meio de Jesus. Nele estava a vida (João 1.4) e essa vida era como o alvorecer de um novo dia trazendo luz para todos os homens e dissipando as trevas do maligno (1 João 2.8). Em Jesus e por sua poderosa ressurreição à vida, Deus está soprando nova vida num mundo tenebroso e caído (2 Coríntios 5.17).
Tudo isso está por trás das duas palavras e seis consoantes do texto hebraico de Êxodo 20.13. Ele foi redigido de forma tão simples quanto em nossa Bíblia em português e com notável brevidade: “Não matarás”. Das três palavras hebraicas usadas na Escritura Sagrada para descrever a perda da vida, a que está em Êxodo 20.13 é a mais raramente usada e é muito mais específica. Normalmente, embora nem sempre, é usada em referência ao que chamamos “homicídio”. Homicídio não é meramente o ato de tirar a vida de alguém, mas de tirar a vida de alguém injustamente. Isso, é claro, significa que nem todo ato de matar é proibido. Há casos como a legítima defesa, a guerra justa, a pena de morte e outros, nos quais tirar uma vida não é apenas permitido, mas exigido.
Tirar injustamente uma vida é fazer o trabalho do diabo. É introduzir a morte em um lugar ao qual ela não pertence. É agir contrariamente ao modo como Deus opera.
Falando da obra de Deus, esse mandamento também nos guia positivamente. Não apenas nós não devemos tirar a vida de alguém injustamente, mas também devemos labutar com Deus pela preservação, proteção e promoção da vida. O Breve Catecismo de Westminster, P&R 68, põe da seguinte forma: “Que exige o sexto mandamento? O sexto mandamento exige todos os esforços lícitos para conservar a nossa vida e a dos nossos semelhantes”. Do mesmo modo, João Calvino enfatiza esse ponto aos seus leitores na Instituição da religião cristã:
Se está em nossas mãos o auxílio para conservar a vida do próximo, somos obrigados a empregá-lo fielmente, a procurar o que for para a tranquilidade dele, a vigiar para debelar o que é prejudicial; se ele estiver em perigo, a estender a mão em auxílio.[1]
Porque Deus é o Deus da vida e porque somos os seus filhos e aqueles que andam do modo como ele anda (1 João 2.6), nós somos necessariamente aqueles que trabalham pela preservação, proteção e promoção da vida. Esse mandamento, então, está profundamente arraigado na natureza divina.
Ele está, contudo, arraigado também na natureza humana. A humanidade é por natureza feita à imagem de Deus. Os homens refletem a Deus de modos que animais e plantas não fazem. Portanto, eles merecem maior grau de respeito e até de reverência do que tudo o mais na criação. A vida de um ser humano não deve ser tirada de modo vão ou fútil.
Uma vez que os homens são criados à imagem de Deus, nós somos, em um sentido bastante amplo e geral, membros de uma única família pactuados uns com os outros. “o homem tanto é a imagem de Deus como é a nossa carne. […] a não ser que se queira despojar a humanidade, devemos favorecê-lo [o homem] como a própria carne” (Calvino).[2] Tirar injustamente a vida de um membro da nossa comunidade é, de certo modo, apagar uma pequena parte de nós mesmos; é como tirar a vida de um membro da nossa própria família.
De modo ainda mais profundo, Jesus apela a esse mandamento e nos ensina que ele diz respeito não apenas a restringir nossas mãos, mas também a restringir nossos corações.
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mateus 5.21-22).
É na mente e no coração que o homicídio é concebido. “Veja se é possível nos irarmos contra o irmão sem ardermos por um desejo prejudicial” (Calvino).[3] Seguir esse mandamento é viver na paz e na alegria da unidade e da reconciliação.
Nós não podemos sequer pensar em tirar a vida de alguém injustamente sem pensarmos em Cristo, cuja vida foi perdida nas mãos de homens ímpios e injustos. A exigência de preservar, proteger e promover a vida foi completamente esquecida enquanto eles crucificavam o nosso Salvador. Contudo, Deus estava operando ali, satisfazendo a sua ira contra o pecado e preservando sua justiça ao perdoar pecadores homicidas como nós, que injustamente tiramos a vida de outros com nossas palavras, em nossos corações e por nossas mãos. E é essa graça que nos motiva a sermos um povo da vida, trabalhando com toda a força que há em nós para preservar, proteger e promover a vida, para a glória de Deus.
Rev. Brian Tallman é pastor da New Life Presbyterian Church (PCA) em La Mesa, Califórnia, EUA.
[1] N.T.: João Calvino. A instituição da religião cristã. Tomo I. Trad. Carlos Eduardo de Oliveira. São Paulo: UNESP, 2008, p. 382 (II, VIII, 39).
[2] N.T.: João Calvino. A instituição da religião cristã. Tomo I. Trad. Carlos Eduardo de Oliveira. São Paulo: UNESP, 2008, p. 383 (II, VIII, 40).
[3] N.T.: João Calvino. A instituição da religião cristã. Tomo I. Trad. Carlos Eduardo de Oliveira. São Paulo: UNESP, 2008, p. 382 (II, VIII, 39).
Por: Brian Tallman. © 2015 Ministério Fiel. Original: You Shall Not Murder.
Este artigo faz parte da edição de Junho de 2015 da revista Tabletalk.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Não Matarás.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
Rev. Brian Tallman é pastor da New Life Presbyterian Church (PCA) em La Mesa, Califórnia, EUA.

domingo, 16 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 15:20-34

O Cristo ressurreto precedeu os crentes "que dormem" e que ressuscitarão quando Ele vier. Os outros mortos somente serão "vivificados" depois, quando tiverem de comparecer perante o trono de juízo (Apocalipse 20:12). Então "todas as cousas" estarão definitivamente sujeitas a Cristo (v. 28).
Tendo fechado o glorioso parênteses dos versículos 20 a 28, o apóstolo mostra nos versículos 30 a 32 como o fato de crer ou não crer na existência de uma vida futura determina o comportamento de todos os homens, a começar pelo seu. Quantas pessoas infelizes existem cuja religião se resume a estas palavras: "Comamos e bebamos, que amanhã morreremos"? (v. 32). Elas tentam convencer a si mesmas de que não existe nada além da sepultura, para poderem aproveitar sem nenhum impedimento sua breve existência "como brutos irracionais" (2 Pedro 2:12). Mas, com relação ao crente, sua fé deve mantê-lo alerta (v. 34), preservá-lo de associar-se a companhias perigosas (v. 33; Mateus 24:49). Que a companhia do Senhor e do Seu povo nos seja suficientes até que Ele venha!

sábado, 15 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 15:1-19

Ainda havia uma séria questão a resolver: algumas pessoas em Corinto negavam a ressurreição. Paulo prova que é impossível tocar nesta doutrina sem derrubar toda a estrutura da fé cristã. Se a ressurreição não existe, o próprio Jesus não ressuscitou; Sua obra não recebeu a aprovação de Deus; a morte não foi vencida, e nós permanecemos em nossos pecados. Conseqüentemente, o Evangelho não tem sentido algum, e a nossa fé é vã. A vida cristã de renúncia e santificação torna-se um absurdo e, de todos os homens, o crente é o mais digno de pena.
Bendito seja Deus, pois este não é o caso: "O Senhor ressuscitou!" (Lucas 24:34). Confrontados com a importância desta verdade, compreendemos por que Deus tomou tanto cuidado para estabelecê-la. Primeiramente pelas Escrituras (vv. 3-4); depois através de testemunhas acima de quaisquer suspeitas: Cefas (Simão Pedro), Tiago e o próprio Paulo; e não somente esses, mas também outros quinhentos irmãos. E, sem dúvida nenhuma, muitos dos nossos leitores, mesmo não O havendo visto com os próprios olhos, têm experimentado que o seu Redentor vive (Jó 19:25).

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus



1 Coríntios 14:20-40

O dom de línguas foi dado para a evangelização, não para a edificação da Igreja. "Edificação" é a palavra-chave deste capítulo, o que deve motivar todas as ações. Será que aquilo que eu me proponho a fazer ou dizer é realmente para o bem dos meus irmãos? (Efésios 4:29). Além disso, se eu realmente tenho em vista o bem dos outros, sempre encontrarei uma bênção para mim mesmo. Se, pelo contrário, eu pensar somente nos meus interesses ou em minha própria glória, tudo se perderá (1 Coríntios 3:15).
Duas outras condições regem a vida da Igreja: a ordem e a decência (v. 40). São as duas margens entre as quais o fluir do Espírito Santo deve estar contido. Elas impõem regras práticas relativas ao bom senso (vv. 26-33) ou à ordem divina (vv. 34-35). O apóstolo não quer que os coríntios sejam ignorantes (12:1). Contudo, se alguém negligencia o aprendizado das coisas relativas à Igreja, pois bem!, que continue ignorante (v. 38). Deus é um Deus de paz (v. 33) e quer que a Igreja, em resposta à Sua própria natureza, seja o lugar ao qual se possam levar os inconversos, e onde estes reconheçam Sua presença (vv. 24-25).

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 14:1-19

Muitos se queixam da fraqueza atual devida à ausência de dons nas igrejas. Mas será que estas pessoas os procuram intensamente como o versículo 1 nos instrui a fazer? O Senhor talvez tenha um dom para dar a você, mas Ele espera que haja um grande desejo em seu coração para recebê-lo. Peça-o... juntamente com a humildade que impedirá que você se vanglorie desse dom que não é para uso próprio, mas "para a edificação da igreja" (v. 12). Os coríntios usavam seus dons simplesmente para a autoglorificação, resultando num caos total. O apóstolo esclarece a questão, mostrando-lhes que o dom do qual mais eles se vangloriavam - o de línguas - na verdade era um dos menos importantes (v. 5). Ao contrário, o dom de profecia era - e permanece até hoje - particularmente desejável, pois "o que profetiza, fala aos homens, edificando, exortando e consolando" (v. 3).
O versículo 15 nos fala que, tanto para orar como para cantar, é necessário usar nossa inteligência. Freqüentemente nos distraímos na presença do Senhor, quando deveríamos pensar bem antes de expressar algo diante de Deus. Meditemos em quão sério é estar diante do Deus Criador de todas as coisas.

VOCÊ TEM CERTEZA QUE PERMANECERÁ FIRME NA FÉ AMANHÃ?


Cristão, como você sabe que você será um crente quando você acordar de manhã? E cada manhã até você encontrar Jesus?
A resposta bíblica é: Deus vai cuidar disso.
Você está satisfeito com isso? Isso faz você ficar apreensivo ao admitir que depende decisivamente de Deus? Espero que isso seja sua alegria e canção. Crer assim tem grandes implicações. Deixe a palavra moldar a sua mente nisso.

Devemos perseverar na fé para entrar no paraíso.

A palavra “devemos” em si mesma não é uma palavra evangélica. Em si mesma, dá a sensação de ameaça e peso. Mas não está por si mesma na Bíblia. “Devemos” ocorre junto de “ele vai” e “nós vamos”. “Nós devemos” se torna “nós vamos” porque “Deus vai”.
• “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.” (Marcos 13:13). Nós devemos perseverar.
• “Se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará;” (2 Timóteo 2:12).
• “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho …por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra … a menos que tenhais crido em vão.” (1 Coríntios 15:1-2).

Deus vai cuidar disso.

A perseverança na fé não é devida a nossa primeira profissão de fé como a saúde é devida a uma vacina apenas. A perseverança na fé ocorre porque o grande médico faz o seu trabalho de sustentação todos os dias. Continuamos crendo em Cristo não por causa dos anticorpos deixados na conversão, mas porque Deus faz sua obra de dar a vida e preservar a fé todos os dias.
• “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória,” (Judas 1:24).
• “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:6).
• “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.” (Jeremias 32:40).
• “(Cristo) também vos confirmará até ao fim… Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.” (1 Coríntios 1:8-9).
• “O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial” (2 Timóteo 4:18).

Nós vamos perseverar na fé.

Porque Deus vai cuidar disso, nós vamos — não apenas devemos — perseverar até o fim. Se fomos justificados pela fé, nós seremos glorificados. É tão certo quanto garantido.
“E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Romanos 8:30).

Quatro “R’s” derivam dessa segurança.

Renúncia
Nós renunciamos o peso da auto-preservação. Nós paramos de nos agitar e deixamos o bombeiro valente nos carregar para fora casa que está queimando. Nós não conseguimos sair. Ele consegue. Ele vai. “Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.” (Jeremias 10:23).
Regozijo
Não ecoa o seu coração a alegria de Charles Spurgeon quando ele disse: “Oh querido amigos, o coração de alguém se regozija em pensar naqueles potentesdeveres e afazeres — aqueles pilares inflexíveis que a morte e o inferno não podem abalar — os deveres e afazeres de um Deus” (The Metropolitan Tabernacle Pulpit Sermons, Vol. IX (364)? “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (1 Tessalonicenses 5:24).
Repouso
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28). O jugo é suave e a carga é leve porque Deus diz: Eu vou te carregar e você vai repousar em mim. “Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.” (Isaías 46:4).
Risco
Se você sabe que o seu futuro é seguro pelo seu onipotente e fiel Deus, as ameaças da terra e do inferno não podem evitar que você propague Sua Fama. A inferência que Paulo extraiu de “aos que justificou, a esses também glorificou” foi “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31). Portanto, vamos correr o risco de “tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada” (Romanos 8:35). Porque nada pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo (Romanos 8:39).
Por: John Piper. © 2013 Desiring God. Original: Você Continuará Crente Amanhã De Manhã?.
John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 13:1-13

Depois dos diferentes membros do corpo de Cristo citados no capítulo 12: pé, mão, orelha, olho; agora é como se o capítulo 13 mencionasse o coração. Sua função é a de dar vida e energia a todos os outros órgãos. Notemos que o amor não é um dom, como os do capítulo 12, mas a força que impulsiona o exercício de todos os dons. Do mesmo modo que um caminho é feito para que se ande por ele, o amor só se conhece verdadeiramente pela experiência. Por essa razão, este maravilhoso capítulo nos dá uma definição de amor; é uma lista - incompleta, mas suficiente para que nos humilhemos profundamente - do que o amor faz e do que o amor não faz. Esse foi o caminho de Cristo neste mundo; e notemos que Seu nome pode substituir a palavra "amor" neste capítulo sem alterar o sentido (1 João 4:7-8).
Nosso conhecimento acerca das coisas invisíveis é parcial, indefinido e precário. Mas logo veremos "cara a cara". Então nosso Salvador - que nos conhece a fundo - nos trará o completo conhecimento de Si mesmo (v. 12; Salmo 139:1), e assim o inabalável amor será perfeito e se verá eternamente satisfeito em nosso coração e no Seu.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 12:14-31

Quando olhamos nosso corpo, ficamos maravilhados! "Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste", exclama o rei Davi no Salmo 119:14. Sim, que diversidade e, contudo, que harmonia há neste complexo conjunto de membros e órgãos, no qual até mesmo o menor tem sua função e sua razão de ser! O olho e o dedinho da mão, por exemplo, não podem trocar de lugar. Porém, o segundo permite tirar o grãozinho de poeira que irrita o primeiro. Basta que somente um órgão não funcione adequadamente para que logo o corpo inteiro esteja doente.
Tudo isso tem seu equivalente na Igreja, o corpo de Cristo. "Os membros do corpo que parecem ser mais fracos, são necessários" (v. 22), e cada um deve tomar o cuidado de não menosprezar sua própria função (vv. 15-16), nem a dos demais (v. 21). Uma crente idosa ou enferma poderá manter, através de suas orações ou de uma palavra de sabedoria ou da ajuda financeira, o ministério de um evangelista ou pastor. Assim, pois, que cada um use para os outros o que tem recebido, como bons administradores "da multiforme graça de Deus" (1 Pedro 4:10).

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 12:1-13

Ao falar nas reuniões da igreja, o apóstolo deu prioridade à celebração da ceia (11:20-34). Somente depois é que ele trata dos dons e ministérios visando a edificação. Não esqueçamos que a reunião de adoração é a mais importante de todas as nossas reuniões.
Paulo relembra a esses antigos idólatras que eles foram outrora enganados por espíritos satânicos (v. 2). Que diferença! Agora é o Espírito de Deus que os dirige, agindo neles "como lhe apraz", através dos dons que Ele lhes dá (v. 11). O apóstolo enumera esses dons, enfatizando que eles são dados "visando a um fim proveitoso" (v. 7). E, para ilustrar a unidade da igreja e a diversidade de ministérios, Paulo toma o exemplo do corpo humano: mesmo sendo composto de muitos membros e órgãos - nenhum dos quais pode funcionar sem os demais -, constitui um único organismo dirigido por uma única vontade: a que a cabeça transmite a cada membro. Assim é o corpo de Cristo. Ainda que formado por muitos membros (todos os crentes que existem), é governado por um só Espírito para acatar a uma só vontade: a do Senhor, que é o Cabeça (Efésios 4:15-16). Não devemos, pois, escolher nossa atividade nem o lugar onde vamos exercê-la (v. 11), uma vez que "Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve" (v. 18).

domingo, 9 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 11:17-34

Havia divisões entre os irmãos em Corinto, e isso se refletia nas reuniões. Os ricos deixavam os pobres envergonhados e provocavam sua inveja. E mais sério ainda: a ceia estava sendo confundida com o ágape (uma ceia de confraternização feita em conjunto na Igreja) e tomada indignamente por muitos. O apóstolo vale-se desta situação para recordar-lhes uma verdade que o Senhor lhe tinha revelado especialmente. A ceia do Senhor é uma santa recordação de Cristo, que se entregou por nós. É uma ceia memorial, que certamente fala ao coração de cada participante, mas também proclama a todos no mundo um fato de essencial importância: Aquele que é Senhor teve de morrer. E nós somos conclamados a anunciar esta morte do Senhor até o Seu retorno. Devemos fazê-lo tal como fomos instruídos, mediante essa linguagem tão nobre e ao mesmo tempo tão simples.
Por fim, esse memorial também fala à consciência do crente, pois a morte de Cristo significa a condenação do pecado. Tomar a ceia sem antes julgar a nós mesmos nos expõe aos efeitos dessa condenação (ainda que somente durante nossa vida neste mundo). Isso explicava a fraqueza de muitas pessoas em Corinto (e talvez entre nós), as doenças e a morte que alcançaram alguns (v. 30). Mas o temor não deve manter-nos afastados da ceia (v. 28). Antes, esse temor deve e pode associar-se a um ardente amor para com Aquele que disse: "Fazei isto em memória de mim" (vv. 24-25).

Estado Islâmico sequestra dezenas de cristãos em cidade síria

Jihadistas do Estado Islâmico (EI) sequestraram dezenas de famílias cristãs após tomarem uma cidade estratégica na província síria de Homs, informou nesta sexta-feira (7) o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), ONG com sede em Londres que monitora a guerra na Síria.
Pelo menos 230 pessoas foram sequestradas, incluindo dezenas de cristãos. Alguns deles foram retirados de uma igreja em Qaryatain, cidade capturada após confrontos intensos com o Exército sírio. A ONG comunicou que se desconhece o paradeiro desses prisioneiros, entre os quais há dezenove menores e 45 mulheres, além de onze famílias inteiras. Qaryatain fica perto de uma rodovia que liga a cidade de Palmira às montanhas de Qalamoun, junto à fronteira com o Líbano.
O Estado Islâmico considera cristãos como infiéis, persegue também membros de outras minorias religiosas e mesmo muçulmanos que não juram obediência aos jihadistas. A organização terrorista proclamou no final de junho de 2014 um califado na Síria e no Iraque, onde controla amplas partes de seus territórios.

 Fonte: Veja

sábado, 8 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 11:2-16

Poucas porções da Bíblia foram objeto de tantas desavenças quanto os ensinamentos deste capítulo (v. 16). Porque o apóstolo - ou melhor, o Espírito Santo - trata de questões que aparentam ser de tão pouca importância como a instrução para que a mulher use cabelos longos ou não ore sem uma cobertura sobre cabeça?
Primeiro convém lembrar que o nosso cristianismo não consiste em alguns atos notáveis realizados ocasionalmente, mas em um conjunto de detalhes que constituem a nossa vida diária (Lucas 16:10). Por outro lado, Deus é soberano e não está obrigado a nos dar razões de tudo o que nos pede em Sua Palavra. Obedecer sem discutir, esta é a única e verdadeira obediência. Assim, podemos dizer que essas instruções se constituem num tipo de teste para cada moça ou mulher cristã. É como se o Senhor perguntasse: "Você faria isso por Mim? Você me ama o suficiente para expor a sua obediência e a sua sujeição mediante este sinal exterior, ou você dá preferência à moda ou à conveniência?".
Por fim, ainda há uma solene realidade que não deve ser esquecida: o mundo invisível dos anjos observa de que maneira os crentes respondem aos pensamentos de Deus (v. 10). O que eles têm visto em nossa vida?

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Todo Dia Com Jesus

1 Coríntios 10:14-33; 11:1

A bendita porção do crente é a comunhão com Deus . Esta exclui qualquer envolvimento com a idolatria, até mesmo em suas formas mais sutis. A comunhão se expressa de um modo especial na "Mesa do Senhor". Em princípio, todos os que participam do cálice e do pão são redimidos do Senhor; mas nem todos os redimidos estão ali. Contudo, pela fé, vemos todos os crentes representados no "único pão", um sinal visível da existência de "um só corpo". Esse emblema simboliza a unidade da Igreja que o mundo religioso pretende construir, sendo que ela já existe!
Se não busco meus próprios interesses, quanto tempo terei disponível para me dedicar aos interesses dos! outros (O interesse de Jesus Cristo consiste neles também; Filipenses 2:21.) Mas buscar o interesse dos outros não significa apenas almejar o bem-estar deles; é, outrossim, considerar a consciência deles. Isso implica fazer certas coisas e abster-se de outras por amor a eles. É algo que sempre me levará a questionar: "Tenho liberdade de render graças nessa circunstância?"; "O que faço neste momento, mesmo que seja comer ou beber, é para a glória de Deus?" (leia o versículo 31 em contraste com o versículo 7).
CristianismoPuroESimples
Durante muitos anos minha convicção tem sido que a unidade cristã e a verdade cristã são melhores servidas não pela eliminação das cercas, mas pelo amor aos que estão do outro lado e pelos portões de boas vindas. Eu não digo que faço isso perfeitamente. Eu quero fazê-lo melhor.
A questão é que minimizar a verdade, polir as arestas, mesclar tudo em uma massa indistinguível, focar em oração, serviço e missão em vez da verdade — nada disso produz unidade que honra a verdade, que cria comunidades robustas ou que resiste durante gerações.
Isto acontece melhor quando vivemos bem em nossas comunidades de convicção e amamos bem mesmo entre as linhas de convicção.

Lewis concordaria?

Será que C.S.Lewis concordaria com isso? Não foi ele quem escreveu “Cristianismo Puro e Simples”? Isso não implica que deveríamos deixar de lado nossas diferenças denominacionais e viver na unidade visível do “Cristianismo Puro e Simples”?
Você pode se surpreender com o que Lewis quer dizer nessa frase. Mas ele nos fala claramente. O que segue é um trecho (em itálico) da introdução a “Cristianismo Puro e Simples” (1943, xi-xii) dividida em seções com os meus comentários.

Não É Uma Alternativa Aos Credos

Espero que nenhum leitor suponha que “Cristianismo Puro e Simples” se apresenta aqui como uma alternativa aos credos das distintas confissões, como se um homem pudesse adotá-la em preferência ao Congregacionalismo ou À Ortodoxia Grega ou a qualquer outra coisa.
Quando Lewis escreve sobre o cristianismo puro e simples ele não está criticando denominações cristãs. Na verdade, ele diz não é como se uma pessoa “pudesse” fazer do cristianismo puro e simples um lugar para se posicionar. Seria como dizer que a camisa que visto não é uma camisa sem mangas, com mangas curtas ou mangas longas. É apenas uma camisa.

O Saguão de Entrada

[O cristianismo “puro e simples”] é como um saguão de entrada que se comunica com as diversas peças da casa. Se eu conseguir trazer alguém até este saguão, terei cumprido o objetivo a que me propus. Porém, é nos cômodos da casa, e não no saguão, que estão a lareira e as cadeiras e são servidas as refeições.
Lewis amava a Igreja da Inglaterra. Era a sua casa denominacional. Mas ele não via a sua chamada como sendo uma advocacia do Anglicanismo. Sua chamada era levar pessoas a entrar na sala de estar do Cristianismo. E ele sabia que o saguão não era um lugar no qual deveríamos viver.
Esse é o equívoco que muitos cometem a respeito de Lewis. Ele não era ecumênico no sentido de liderar as pessoas na saída dos quartos denominacionais em direção a sala de unidade. Seu espírito ecumênico consistia, como veremos mais adiante, no amor entre os quartos e não no esvaziamento dos quartos em direção ao saguão de entrada.
Os quartos denominacionais são onde estão a chaminé, as cadeiras e as refeições. Em outras palavras, se você tentar viver no saguão de entrada, você vai ficar sem aquecimento, descanso e comida. Cristianismo Puro e Simples não é um Cristianismo vivido. Tentar fazer dele uma vida é como tentar comer mera comida sem comer verduras, frutas nem carne.

Não Fique no Saguão

O saguão é uma sala de espera, um lugar a partir do qual se podem abrir as várias portas, e não um lugar de moradia. Para morar, segundo creio, o pior dos cômodos (seja lá qual for) será preferível.
Ele é tão claro a respeito da impropriedade do Cristianismo Puro e Simples que ele diz que viver o melhor que puder na pior denominação cristã é melhor do que viver no saguão.

Entre em um Quarto

É verdade que algumas pessoas podem ter de esperar na sala de entrada por um tempo considerável … Você deve seguir orando para pedir luz: e, é claro, até no saguão você deve tentar obedecer às regras que são comuns a casa inteira. Acima de tudo, deve se perguntar continuamente qual das portas é a verdadeira; não qual delas tem a pintura mais bonita ou possui os melhores ornamentos. Em linguagem clara, a pergunta a ser feita não deve ser: “Será que eu gosto desses rituais?”, mas sim: “São essas doutrinas verdadeiras? O sagrado mora aqui? A minha consciência me move nessa direção”?
Essa é uma das razões pelas quais eu amo Lewis. Não há desordem dizendo que todos os quartos são iguais. Ou que todos os quartos têm a mesma verdade de ângulos diferentes. Ou que a experiência pessoal é a coisa principal, enquanto afirmações da verdade são consideradas uma presunção humana. Ou que é impróprio aos santos fazer julgamentos sobre qual denominação tem a verdade. Nada disso.
Não. Em vez disso há uma afirmação direta de que há de se realizar um movimento crucial a partir do saguão do Cristianismo Puro e SImples para a especificidade doutrinária de um quarto. Com esse objetivo, nossa tarefa primária, uma vez que estamos na sala de entrada, é descobrir o quarto mais próximo da verdade. Assim ele nos incentiva a “continuar orando para pedir luz.” E a “perguntar qual quarto é o verdadeiro.” E pesquisar, não se gostamos dos serviços, mas sim: “São essas doutrinas verdadeiras?*”

Do Que o Mundo Necessita

Quando você chegar ao seu cômodo, seja bondoso com as pessoas que escolheram outras portas, bem como com as que ainda estão no saguão. Se elas estão no erro, precisam ainda mais de suas preces; e, se forem suas inimigas, você, como cristão, tem o dever de orar por elas. Esta é uma das regras comuns à casa inteira.
Esse é o ecumenismo de Lewis. Faça o seu melhor para escolher um quarto denominacional de acordo com a verdade bíblica. Em seguida, ame aqueles que escolhem diferentemente, mesmo se eles se tornarem seus inimigos.
O que o mundo necessita da grande casa do Cristianismo não é que todas as paredes entre os quartos sejam quebradas, mas que nos amemos em todos os modos que a Bíblia diz, incluindo a defesa e a confirmação da verdade das Escrituras como nós a vemos (Efésios 4:15).
Por: John Piper. © 2013 Desiring God. Original: Um “Cristianismo Puro e Simples” Significa Eliminação das Denominações?.

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