| 1 | ASSIM como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! |
| 2 | A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? |
| 3 | As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus? |
| 4 | Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava. |
| 5 | Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. |
| 6 | Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte. |
| 7 | Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim. |
| 8 | Contudo o Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida. |
| 9 | Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo? |
| 10 | Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus? |
| 11 | Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus. |
segunda-feira, 26 de abril de 2010
SALMO 42
domingo, 25 de abril de 2010
Meditação Diária
"Não te apresses em deixar a presença dele." (Eclesiastes 8.3)
Estou convencido de que a agitação em que vivem os filhos de Deus os deixa cegos para a importância da hora atual na história da salvação. Satanás não quer que tenhamos tempo, mas sim que sempre estejamos ocupados com uma atividade ou outra. Isaías chama o mal pelo nome, quando diz: "Na tua longa viagem te cansas." O apóstolo Paulo agia com cautela. Com grande autoridade, ele diz: "Pois não lhe ignoramos os desígnios (de Satanás)."
Ter tempo não significa ganhar tempo a fim de se agitar ainda mais, mas sim separar tempo para orar! Pessoas que oram são pessoas que fazem milagres. Posso ter lido milhares de vezes as palavras de Jesus em Mateus 7.7, mas toda vez elas me tocam profundamente: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á." É tão simples, mas também tão sublime! Como poderia ser rica, poderosa e abençoada sua vida se você fosse uma pessoa que ora! Quem tem tempo para o Senhor encontra coisas ilimitadas, coisas que permanecem eternamente, motivo pelo qual também digo a você com seriedade: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus", e "Porque ainda dentro de pouco tempo aquele que vem virá, e não tardará."
Extraído do livro "Pérolas Diárias" (de Wim Malgo)
Os Bilhões do Vaticano - parte 47
O papado, embora apreensivo, parecia não temer coisa alguma. Hitler, sem levar em conta pequenas disputas periódicas com a hierarquia católica germânica, jamais havia ameaçado tomar a riqueza da Igreja. Pelo contrário, ele havia assegurado as propriedades e a estabilidade católica dentro do Reich Nazista através de um solene tratado – a Concordata - assinada entre Hitler e o Papa Pio XI, em junho de 1933, apenas alguns meses após Hitler ter-se tornado o Chanceler da Alemanha, em janeiro. Este feliz estado de negociações foi devido ao fato principal de que a Igreja Católica e o Nazismo haviam concordado em se apoiar mutuamente. Ao mesmo tempo em que Hitler garantia ao Vaticano suas propriedades e vários privilégios especiais, o Catolicismo ordenava ao seu clero não fazer pacto algum de ataque ao Nazismo. Orações eram rezadas publicamente em favor da Alemanha Nazista. Os bispos obrigavam todos os padres católicos a jurar que eles jamais se oporiam ou prejudicariam a ditadura nazista. Era o mesmo tipo de casamento formal daquele contraído com a Itália fascista, apenas quatro anos antes.
Considerado sob o enfoque acima, portanto, o assunto de como Hitler seria mau, não interessava ao papado, pois basicamente ele seria útil – até o ponto em que se posicionasse contra Stalin. Este era a personificação do Bolchevismo, que procurava aniquilar a Igreja e se apossar de suas propriedades. Hitler dispôs-se a destruir não apenas Stalin, mas também o Bolchevismo russo e europeu. Daí, com guerra ou sem guerra, ele se tornaria o mais efetivo defensor da Igreja e, portanto, de todos os bilhões desta.
Tal argumento, visto do interesse próprio do Vaticano, parecia bom e esta é a razão por que o seu principal promotor, o Cardeal Pacelli, mais tarde Papa Pio XII, seguiu, desde o princípio, uma política de apoio direto aos dois mais vigorosos movimentos de extrema direita anti-comunistas do período, o Fascismo italiano e o Nazismo germânico. O Vaticano foi ao ponto de pavimentar o caminho para Hitler, e em verdade forçar os católicos alemães dissidentes a apoiarem a linha Vaticano- Hitlerista. Os quatro objetivos dessa política foram estabelecidos: 1) Quando o líder do Partido Católico Alemão, Franz Von Papen, foi nomeado Vice-Chanceler da Alemanha Nazista, secundado apenas por Hitler, em janeiro de 1933; 2) Quando os deputados do Partido Católico no Parlamento votaram pela concessão de poder absoluto para Hitler (23/03/1933); 3) Quando o Vaticano deu ordens ao líder do Partido de Centro Alemão (Partido Católico) para se dissolver, de modo a encerrar qualquer oposição contra Hitler – o que foi feito imediatamente, em 05/07/1933, e 4) Quando o Vaticano e Hitler assinaram a Concordata, no verão de 1933. Conforme o Artigo 20 desta concordata “...Aos domingos orações especiais... serão oferecidas... para o bem estar do Reich (Alemanha Nazista)”. Bem mais sério era o Artigo 16: “Antes dos Bispos tomarem posse em suas dioceses, devem fazer um pacto de lealdade ao Representante do Reich...” Todos os detalhes desta política já foram tornados públicos por este autor em seu livro “The Vatican in World Politics”.
Olhando-se retrospectivamente, a colaboração Hitler-Vaticano parece um colossal julgamento errado da parte do papado. Contudo, nesse período, a ameaça do Comunismo nos campos doméstico e internacional era real, pressionadora e iminente. O Comunismo estava pondo em risco não apenas a religião, mas também a riqueza da religião estabelecida, inclusive toda a riqueza da Igreja Católica Romana.
Ao explodir a II Guerra Mundial, portanto, a Igreja não hesitou sobre de que lado ficaria. Sem dúvida, como a fé possuía adeptos de ambos os lados, a Igreja Católica tinha de desempenhar o papel oficial de neutralidade. Ela não podia antagonizar milhões de Católicos na França, Bélgica, Holanda, Polônia, Inglaterra e, acima de tudo, nos Estados Unidos. Mas enquanto desempenhava o papel de “pai universal”, Pio XII, estava apoiando a cruzada hitlerista, até o ápice, como o fizeram alguns países católicos fora do campo dos Aliados.
A guerra de Hitler, vista a partir de Roma, era uma cruzada essencialmente anti-bolchevista. Quando, portanto, em junho de 1941, Hitler cruzou as fronteiras da Rússia, houve manifesta alegria no Vaticano. Orações, novenas e o culto a Fátima, baseado nas promessas da Virgem de que “o Santo Padre me consagrará a Rússia” foram todas revividas e magnificadas.
Para ajudar a promessa da Virgem a se tornar realidade, e também tornar possível a Pio XII consagrar-lhe a Rússia, ospaíses católicos enviaram contingentes ao front russo. Os católicos da Espanha enviaram a Divisão Azul junto com os exércitos nazistas, e voluntários deram dízimos em praticamente todos os países católicos. Enquanto tal acontecia, Franco determinou-se a reconstruir sua terra meio destruída. Isso ele fez, restaurando as fortunas do Vaticano na Espanha varrida pela guerra. Desse modo em 27/01/1940, ele assinou um decreto devovendo formamelmente “as vastas propriedades pertencentes à Sociedade de Jesus, que haviam sido confiscadas pela República, em 1932”. Ao mesmo tempo ele também restaurou todas as terras que a República ou os legalistas haviam tomado da Igreja Católica, em 1931.
Para o Vaticano esta era uma grande vitória. Seus bilhões haviam retornado aos seus cofres. O governo nacionalista iniciou a reconstrução. E assim fez a Igreja. Ela fez isso adquirindo mais propriedades, investindo em mais imóveis, blocos de apartamentos e até mesmo comprando ações em fábricas, tentando recuperar ostensivamente os milhões de pesetas que havia perdido durante a Guerra Civil.
Durante a Guerra Civil, centenas de milhões de pesetas e de bônus avaliados em dólares e capital haviam sido confiscados ou escondidos em locais seguros, os quais foram esquecidos, perdidos ou roubados.
A hierarquia espanhola usou todos os meios possíveis para recuperar as riquezas deste mundo, com zelo jamais superado no trato com as com as riquezas do outro mundo. Ela mobilizou peritos no país e no exterior. Foi ao ponto de usar o mais “indigno” método comercial leigo, a propaganda em jornal. E aconteceu que os prelados especialistas em negócios, no início em 1940, começaram a colocar anúncios em vários jornais, dando números e outros detalhes sobre as ações extraviadas, e seus esforços foram coroados de êxito.
O trunfo, contudo, foi duvidoso, pois os Católicos Romanos agora, para sua surpresa, vieram a saber com exatidão como sua Igreja, aparentemente preocupada apenas com as riquezas celestiais e os princípios morais, tinha estado e continuava estando muito mais interessada nas riquezas que ela possuía nos bancos, companhias telefônicas, companhias de navegação e outras organizações seculares, muito antes da Guerra Civil ter começado, e isso após suas longas declarações, durante o conflito, de que não tinha ali absolutamente quaisquer interesses temporais.
No dia 07 de janeiro de 1940, por exemplo, o jornal ABC veio à tona com um item listando os valores na Companhia Telefônica Nacional da Espanha, e em 24 de janeiro, outro item listava os valores da Companhia Transatlântica. O lado interessante deste fato é que não apenas a Igreja espanhola havia investido nesses assuntos leigos, mas que havia financiado interesses nos assuntos internacionais. Pois enquanto o segundo estava ligado com a Companhia Espanhola Transatlântica de Navegação, o primeiro era parte e parcela da Companhia Americana Intenacional de Telefone e Telégrafo, a qual, por acaso, havia construído o primeiro arranha-céu na Espanha.
A IT&T (Companhia Americana Internacional de Telefone e Telégrafo) não afirmou que era o Vaticano quem possuía o dinheiro, nem mesmo que ela pertencia à hierarquia. O Vaticano é esperto demais, um mestre nas jogadas deste mundo, para permitir isso. Como na Itália, nos Estados Unidos e em outros países, a maior parte de suas propriedades, ações e bônus estão camuflados sob os nomes de pessoas do laicato católico ou mesmo de negócios puramente financeiros ou bancários. Contudo, neste caso, os certificados declaravam que além do laicato havia também claramente hierarcas tocando na banda financeira, como a Metropolitana de Valença por exemplo, a qual possuía várias centenas de ações da Companhia Telefônica. A Casa Diocesana do Arcebispado, de Lerida, possuía quatorze ações preferenciais, enquanto o reitor do Colégio São José, de Valência, junto com os jesuítas, o Colégio de Maria Imaculada e várias outras congregações católicas, possuíam o restante.
Alguns dos proprietários de capital na Companhia de Navegação eram o Arcebispo de Madri-Acala (50 ações sob os números 91-101-150), o Vigário Geral da Congregação dos Irmãos Descalços da “ Redcera Orden de la BMV del Carmen” de Tarragona. A Igreja possuía mais ou menos 1/3 da riqueza total móvel e imobiliária da Espanha. Para citar apenas algumas das organizações nas quais ela possuía interesses financeiros totais ou parciais, aqui estão alguns citados na “Espagne au XXe Siecle”: “A Ferrovia Norte, Companhia Transatlântica de Navegação, as plantações de laranjas de Andaluzia, as minas das províncias bascas e em Rif, e dúzias de fábricas na Catalunha, que estão sob a direção aberta ou oculta da Igreja”.
Acreditar, contudo que a Igreja Católica estava recuperando, acumulando e multiplicando seus milhões somente na Espanha, antes e durante a II Guerra Mundial, seria um erro. Pois ela estava sendo igualmente ativa em outros países, como por exemplo na Bélgica, Holanda, Polônia e França. Neste último país, por exemplo, o Vaticano costumava controlar o Banco Franco-Italiano da América do Sul, o qual tinha um capital de 40 milhões de Francos (antes da II Guerra Mundial), a Societé du Textiles du Nord, na qual a participação do Vaticano chegava a 70% do capital, e outros investimentos semelhantes, igualmente proveitosos, a tal extensão que a participação total em capital do Vaticano às vezes era estimada em 200 milhões de Francos, (metade do capital do banco), ao valor de compra daquela época (1939-1940).
SALMO 41
| 1 | BEM-AVENTURADO é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal. |
| 2 | O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos. |
| 3 | O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu o restaurarás da sua cama de doença. |
| 4 | Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti. |
| 5 | Os meus inimigos falam mal de mim, dizendo: Quando morrerá ele, e perecerá o seu nome? |
| 6 | E, se algum deles vem ver-me, fala coisas vãs; no seu coração amontoa a maldade; saindo para fora, é disso que fala. |
| 7 | Todos os que me odeiam murmuram à uma contra mim; contra mim imaginam o mal, dizendo: |
| 8 | Uma doença má se lhe tem apegado; e agora que está deitado, não se levantará mais. |
| 9 | Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar. |
| 10 | Porém tu, Senhor, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes dê o pago. |
| 11 | Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não triunfa de mim. |
| 12 | Quanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me puseste diante da tua face para sempre. |
| 13 | Bendito seja o Senhor Deus de Israel de século em século. Amém e Amém. |
sábado, 24 de abril de 2010
O livro de Ester é único entre todos os livros da Bíblia, porque em nenhum dos seus dez capítulos é mencionado o nome de Deus. Tal fato tem levado alguns estudiosos a concluírem que ele não possui caráter canônico. Certa vez, Martim Lutero chegou a dizer que gostaria que ele nem tivesse existido. Mas quanto mais você lê esse livro relativamente pequeno, mais reconhece a providência divina. Essa providência não é revelada de nenhuma forma miraculosa; antes, podemos observar que ela acontece de forma muito natural, à medida que contemplamos o desfecho de circunstâncias que culminam com a ascensão dos judeus, contrariando dessa forma a sua tão cuidadosamente planejada aniquilação.
“Nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias, naqueles dias, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que está na cidadela de Susã, no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, no qual se representou o escol da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes das províncias estavam perante ele” (Ester 1.1-3).
Antes de iniciarmos nosso estudo, vamos identificar o rei Assuero. No livroExplore The Book, escrito por J. Sidlow Baxter, lemos:
O nome do filho de Dario foi decifrado como Khshayarsha, que, ao ser traduzido para o grego, é Xerxes, e que, traduzido para o hebraico, é, praticamente, letra por letra, Akhashverosch, o que corresponde a Assuero em português. |
Os méritos para a primeira identificação de Assuero como Xerxes vão para Georg Friedrich Grotefend. Quando jovem estudante na Universidade de Göttingen, ele se propôs a decifrar pacientemente os personagens curiosos e bem delineados que foram encontrados em inscrições nas ruínas da antiga cidade persa de Persépolis. O nome do filho de Dario foi decifrado como Khshayarsha, que, ao ser traduzido para o grego, é Xerxes, e que, traduzido para o hebraico, é, praticamente, letra por letra, Akhashverosch, o que corresponde a Assuero em português. Presumindo que o nome era lido na língua persa, a identidade de Assuero estava estabelecida; e achados mais recentes corroboraram as descobertas de Grotefend.
A riqueza de detalhes dos eventos documentados nas Escrituras sempre me impressiona. A história não começa com “era uma vez”, mas identifica o nome do rei da época: Assuero. A extensão do império também é claramente definida: “da Índia... até à Etiópia”. Onde esse homem governava? “...na cidadela de Susã”. Quando isso ocorreu? “No terceiro ano do seu reinado”. Quem estava envolvido? “...os poderosos da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes”. Se alguma dúvida surgir, podemos comparar esses dados com evidências arqueológicas obtidas de pratos de cobre, tabuinhas de barro, remanescentes de ruínas ou inúmeras outras fontes de documentos históricos.
O evento sobre o qual iremos falar começa quando a rainha se recusa a obedecer às ordens do rei. Já li vários comentários sobre a razão pela qual a rainha Vasti se recusou a atender o convite de seu marido. Um grande número de estudiosos da Bíblia concluiu que a rainha era uma pessoa de caráter íntegro que se recusou a participar de uma orgia de bêbados, promovida pelo seu marido e os demais membros da nobreza. Essa conclusão é baseada no estudo da história que identifica o rei Xerxes como um indivíduo emocionalmente instável, que era cruel em suas atitudes e imprevisível em suas ações. Isso pode soar um tanto lógico para muitas pessoas hoje em dia, uma vez que não é mais comum atualmente que uma esposa atenda a uma ordem do marido. Esse tipo de comportamento foi a base para o movimento de busca de direitos iguais para homens e mulheres. Em nossa sociedade moderna, tornou-se quase impossível continuar seguindo os costumes antigos. Na maioria das famílias, tanto o marido quanto a mulher trabalham a fim de sustentar o lar. Em muitos casos, o salário da mulher é até mais alto que o do marido; por isso, parece não haver sentido em que um dos parceiros do casamento esteja acima do outro. Em outras palavras, esse é um processo evolucionário natural. Quem pode discutir com essa conclusão lógica: se a sua esposa trabalha o dia inteiro e volta para casa para encontrar um lar desarrumado, por que você não deveria ajudá-la com os afazeres domésticos? Eu apoio esse comportamento de todo o coração e acrescento ainda um forte “Amém!”
Podemos nos opor a esse desenvolvimento o quanto quisermos; podemos identificá-lo como uma filosofia da Nova Era ou algo antifamília. Esse até pode ser o caso e não discordo disso. Mas, fatos são fatos. Nós não estamos apenas vivendo em um tempo onde a igualdade entre maridos e esposas é uma realidade, mas também em uma época em que as crianças também são freqüentemente incluídas nas decisões familiares.
Contudo, três fatores me fazem discordar dos meus colegas a respeito da reação da rainha Vasti:
1) No versículo 5 lemos: “...deu o rei um banquete a todo o povo que se achava na cidadela de Susã, tanto para os maiores como para os menores...” Tratava-se de um evento oficial e autorizado, baseado em uma ordem do rei.
2) “Também a rainha Vasti deu um banquete às mulheres na casa real do rei Assuero” (v. 9). É enfatizado o fato de a rainha ter oferecido uma festa para as mulheres na casa que pertencia ao rei Assuero, indicando que ela lhe era sujeita. Aparentemente, nenhuma provisão legal foi feita para que a rainha Vasti realizasse seu próprio evento; portanto, ela agiu fora da lei.
3) No versículo 8 lemos: “Bebiam sem constrangimento, como estava prescrito”. Essa civilização era bem avançada e governada pela lei. Várias evidências de antigos artefatos testificam que essa era uma civilização bem desenvolvida. Veremos mais tarde que as leis eram tão poderosas, que nem o próprio rei poderia passar por cima delas. Por isso, a interpretação de que a rainha Vasti teria justificadamente se oposto ao banquete de bêbados não tem fundamentação bíblica.
A rainha havia infringido a lei! Vasti havia se rebelado contra a autoridade estabelecida pela civilização persa. |
Arriscando a possibilidade de ser mal-entendido, eu me aventuro a dizer que a rainha Vasti era uma feminista, que estava interessada somente em fazer a sua própria vontade, mesmo se isso importasse em desrespeitar a autoridade de seu marido, o que podemos constatar no versículo 12:“Porém a rainha Vasti recusou vir por intermédio dos eunucos, segundo a palavra do rei, pelo que o rei muito se enfureceu e se inflamou de ira”.
Embora vejamos que o rei estava de fato irado, ele não agiu como um bêbado irresponsável, ou como um ditador insensível que abusava de sua autoridade. O rei Assuero convocou todos os seus conselheiros oficiais: “...os sábios que entendiam dos tempos (porque assim se tratavam os interesses do rei na presença de todos os que sabiam a lei e o direito” (v. 13). Uma questão foi levantada: “O que deveria ser feito à rainha Vasti, segundo a lei?” Novamente, vemos que o manejo da situação envolvia um procedimento ordenado, uma questão legal, com conseqüências nacionais. A rainha havia infringido a lei! Vasti havia se rebelado contra a autoridade estabelecida pela civilização persa. É interessante observar que o rei deu uma ordem quase idêntica ao que é dito no Novo Testamento: “...cada homem deve ser senhor de sua própria casa” (Ester 1.22). Em 1 Timóteo 3.5 lemos: “pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” Para um homem servir a Deus, é necessário que ele governe sua própria casa. A rainha Vasti estava dando seu banquete na casa do rei.
Mordecai, o judeu
O povo judeu, que tinha sido disperso de Jerusalém e levado cativo à terra de Babilônia, que mais tarde acabou sendo governada pelos medo-persas, vivia aparentemente em paz e gozava de prosperidade. Dentre aqueles judeus havia um de nome Mordecai, que tinha uma sobrinha chamada Ester. Quando Mordecai descobriu que a rainha Vasti havia se separado do rei Assuero, o que resultou em sua dispensa, e que o rei procurava uma nova rainha, ele apresentou Ester como candidata.
Ester logo tornou-se a favorita do rei e lemos: “Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado” (Ester 2.16).
O povo judeu tinha sido disperso de Jerusalém e levado cativo à terra de Babilônia, que mais tarde acabou sendo governada pelos medo-persas. Dentre aqueles judeus havia um de nome Mordecai. |
O tio Mordecai permanecia observando tudo de longe. Ele era um servo fiel do rei gentio e aparentemente cumpria tudo o que a lei exigia. Contudo, havia uma exceção: Mordecai, o judeu, recusou-se a curvar-se diante do primeiro-ministro do reino, chamado Hamã, o agagita: “Todos os servos do rei que estavam à porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha ordenado o rei a respeito dele. Mordecai, porém, não se inclinava, nem se prostrava” (Ester 3.2).
Será que Mordecai se recusou a se prostrar diante de Hamã porque ele reconhecia a arrogância desse homem? Será que ele não o honrou porque estaria sendo hipócrita? Nós sabemos através de outros versículos que o ato de se curvar perante uma autoridade ou um hóspede estimado era muito comum naqueles dias. Uma coisa é certa, Mordecai não se curvaria perante Hamã. Até os servos do rei perguntaram: “por que transgrides as ordens do rei?” (Ester 3.3). Mordecai deliberadamente violou o mandamento do rei. Obviamente Hamã tinha autoridade para eliminar Mordecai. Aparentemente, esse homem estava tão cheio de orgulho e ódio, que matar somente um homem não iria satisfazer-lhe os desejos. Então, ele planejou a aniquilação de todo o povo judeu existente no reino: “Porém teve como pouco, nos seus propósitos, o atentar apenas contra Mordecai, porque lhe haviam declarado de que povo era Mordecai, por isso, procurou Hamã destruir todos os judeus, povo de Mordecai, que havia em todo o reino de Assuero” (Ester 3.6).
A fim de cumprir seus intentos malignos, Hamã tinha que proceder de conformidade com a lei. Sendo um confiável oficial do governo, ele apresentou seu caso ao rei: “Então disse Hamã ao rei Assuero: Existe espalhado, disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino, um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as do rei, pelo que não convém ao rei tolerá-lo. Se bem parecer ao rei, decrete-se que sejam mortos, e, nas próprias mãos dos que executarem a obra, eu pesarei dez mil talentos de prata para que entrem nos tesouros do rei. Então, o rei tirou da mão o seu anel, deu-o a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus” (Ester 3.8-10). Hamã misturou a verdade com mentiras. O fato de que as “leis [do povo judeu] são diferentes das leis de todos os povos” era verdade, mas ele acrescentou uma mentira óbvia: “...e não cumpre as [leis] do rei...” Mordecai foi quem quebrou a lei, não os demais judeus. De qualquer forma, o destino dos judeus estava selado! O versículo 13 nos dá os detalhes: “Enviaram-se as cartas, por intermédio dos correios, a todas as províncias do rei, para que se destruíssem, matassem e aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar, e que lhes saqueassem os bens” (Ester 3.13). O terceiro capítulo conclui: “o rei e Hamã se assentaram a beber, mas a cidade de Susã estava perplexa”. As pessoas estavam impressionadas, o rei não sabia de nada, e Hamã se regozijava porque seus planos estavam se realizando.
Sem dúvida os judeus, que tinham ganhado riquezas na terra do cativeiro, tornaram-se parte integral desse reino próspero. De repente, essa nova lei foi introduzida e consistia em uma sentença de morte para todo o povo judeu. Que terrível tragédia foi para os judeus saberem que todos iriam ser executados no dia 13 do mês de adar.
As propriedades e as riquezas que eles haviam acumulado seriam dadas para seus piores inimigos. Como eles devem ter clamado a Deus: “Oh! Senhor, como podes deixar isso acontecer conosco? Nós somos o teu povo, a quem o Senhor tirou da escravidão do Egito. O Senhor nos fez uma grande nação, mas temos pecado contra ti. O Senhor nos rejeitou novamente, mas prometeu que nos traria de volta, e agora toda a nossa esperança está perdida e estamos por perecer”. O que os judeus não sabiam é que todos os seus inimigos seriam identificados pela sua sentença de morte. Não havia muita dúvida de que aqueles que odiavam os judeus estavam deixando bem claro que viriam ao seu encalço. Eles provavelmente os atormentaram contando os dias. Os inimigos não podiam tocá-los enquanto o dia determinado não chegasse, porque os judeus estavam protegidos pela lei como o restante do povo. A lei e a ordem foram implementadas pela autoridade do rei. Os judeus estavam seguros até o dia 13 do mês de adar, quando uma outra lei se tornaria efetiva.
Nesse meio tempo, Mordecai e todos os judeus do reino começaram a orar:“...havia entre os judeus grande luto, com jejum e choro, e lamentação; e muitos se deitavam em pano de saco e em cinza” (Ester 4.3).
A rainha Ester
Foi nessa hora que Ester entrou em cena. Mordecai a contactou com uma afirmação profundamente profética: “Porque se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Ester 4.14). A profunda fé de Mordecai no Deus de Israel é evidente. Ele ainda acreditava em um livramento mas não sabia como este iria acontecer.
Ester reconheceu que sua situação era precária porque ela não poderia se aproximar do rei sem a sua permissão. Contudo, essa mulher determinada, que teve um papel fundamental na salvação física dos judeus, tinha tomado uma decisão. Se fosse necessário, ela estava preparada para dar a vida pelo seu povo: “...se perecer, pereci” (Ester 4.16).
Ester chegou à conclusão de que a vida do seu povo era mais importante que a dela. |
Ester chegou à conclusão de que a vida do seu povo era mais importante que a dela. Ela infringiu a lei, aproximando-se do rei sem um convite formal, e encontrou graça perante o rei Assuero: “Quando o rei viu a rainha Ester parada no pátio, alcançou ela favor perante ele; estendeu o rei para Ester o cetro de ouro que tinha na mão; Ester se chegou e tocou a ponta do cetro” (Ester 5.2). Esse gesto foi o primeiro sinal de esperança para a salvação de Israel. O cetro é um símbolo e uma expressão do poder real. Embora esse cetro estivesse nas mãos do rei Assuero, o verdadeiro poder repousa sobre o cetro ao qual Jacó se referiu profeticamente quando falou a respeito de Judá: “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos” (Gênesis 49.10).
Mais tarde na história, lemos sobre Balaão, o profeta gentio que descreveu o povo do cetro: “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete” (Números 24.17).
Por isso, quando lemos que: “o rei apontou para Ester o cetro de ouro que estava em sua mão”, devemos perceber que esse era mais do que um ornamento decorado de ouro na mão de um rei gentio; era a providência de Deus para Israel que estava naquele cetro.
Como Ester reagiu? Ela falou ao rei imediatamente sobre a catástrofe que aconteceria ao seu povo? Ela implorou por misericórdia? Não. Ester sabia que estava na presença do rei que possuía o poder pelo qual poderia decretar uma nova lei. De forma sábia, Ester primeiro procurou criar uma amizade não somente com o rei, mas também com o inimigo: “Respondeu Ester: Se bem te parecer, venha o rei e Hamã, hoje, ao banquete que eu preparei ao rei” (Ester 5.4).
Durante o banquete, o rei perguntou: “Qual é a tua petição?” (Ester 5.6).Ester respondeu: “se achei favor perante o rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a petição, e cumprir o meu desejo, venha o rei com Hamã ao banquete que lhes hei de preparar amanhã, e então farei segundo o rei me concede” (Ester 5.8). A rainha Ester foi cautelosa. Ela se comportou com dignidade real e convidou Hamã e o rei para um outro banquete no dia seguinte.
Cheio de alegria e completamente cego quanto ao seu destino, Hamã proclamou a sua esposa e amigos: “Contou-lhes Hamã a glória das suas riquezas e a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e como o tinha exaltado sobre os príncipes e servos do rei” (Ester 5.11). A grande honra que lhe fora dada não o fez consciente da sua própria desgraça; aliás, o que aconteceu foi exatamente o oposto: ele mergulhou em uma escuridão ainda maior. Hamã disse: “Porém tudo isto não me satisfaz, enquanto vir o judeu Mordecai assentado à porta do rei” (Ester 5.13). Aí sua esposa se envolveu: “Então, lhe disse Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca de cinqüenta côvados de altura, e, pela manhã dize ao rei que nela enforquem Mordecai; então, entra alegre com o rei ao banquete. A sugestão foi bem aceita por Hamã, que mandou levantar a forca” (Ester 5.14). A execução de Mordecai foi agendada para o dia seguinte, antes que Hamã comparecesse ao banquete.
O rei não conseguia dormir
No começo do capítulo 6, ficamos sabendo que o rei, a quem o cetro fora concedido, não estava conseguindo dormir à noite. Se o rei tivesse conseguido dormir, Mordecai provavelmente teria sido executado e Hamã teria conseguido agir com autoridade. Mas Deus não havia planejado as coisas assim. Primeiro era necessário que Mordecai fosse poupado, e que o orgulhoso Hamã fosse humilhado e preparado para sua própria execução.
Quando foram lidas as crônicas diante do rei insone, achou-se escrito que certa vez Mordecai tinha salvado a vida de Assuero. Então o rei perguntou:“Que honras e distinções se deram a Mordecai por isso?” (Ester 6.3).Semelhantemente aos nossos dias, esse fato havia-se perdido em meio à burocracia do reino: “Nada lhe foi conferido” (v. 3), foi a resposta do servo.
Nesse caso, a insônia fez com que o rei ficasse alerta. Ele não agiu irracional e irresponsavelmente como fez quando deu ouvidos ao argumento de Hamã a respeito da aniquilação do povo judeu.
Uma observação pessoal: talvez a solução para sua insônia não esteja em remédios, visitas a médicos ou terapeutas. Pode ser que a hora da sua insônia seja um tempo em que Deus deseja falar com você. Sei que muitos sofrem de uma ou mais das inúmeras causas físicas ou emocionais que podem causar insônia. Mas em certas ocasiões não há razão para ela; você simplesmente não consegue dormir. Essa é uma hora ideal para se ocupar com o seu Criador; abra o livro, o Seu livro, e perceba que Ele salvou a sua vida. Você escapou de uma eternidade perdida e sem Deus para a presença na mansão real. Que honra foi dada a Ele que lhe salvou? Ele fez com que nossas Bíblias fossem escritas para que pudéssemos entender Suas intenções. Em suas páginas você encontrará uma declaração de amor: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Você já ofereceu uma resposta a essa oferta? Se ainda não, faça-o hoje.
Você já leu a acusação que Jesus fez às pessoas de Jerusalém: “Nunca lestes nas Escrituras...?” (Mateus 21.42)? Você quer saber sobre o futuro? Use a sua insônia para ler mais sobre ele e então reaja ao que tiver lido através de uma conversa com Jesus. Ninguém nunca orou tanto como Jesus; Ele passava noites inteiras em oração. Durante Seus últimos dias, Ele teve que repreender Seus discípulos: “Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?” (Mateus 26.40). Pode muito bem ser que Deus providenciará essa insônia para que você tome uma posição sacerdotal em favor daqueles que estão por perecer. Vidas estão em jogo! Conforme Apocalipse 1.6, Jesus, “nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai”. Seja como a rainha Ester, que estava pronta a abrir mão de sua vida para ir à presença do rei e interceder sacerdotalmente pelo seu povo. Você fará isso hoje?
Hamã levou Mordecai montado em um dos cavalos do rei, elogiando-o em alta voz, para todos ouvirem. |
A confiança que o rei tinha em Hamã era impressionante. Parece que, coincidentemente, Hamã estava no átrio do palácio do rei, pronto para pedir permissão para enforcar Mordecai na forca que já havia preparado. Naquele exato momento, o rei o chamou e perguntou: “Que se fará ao homem a quem o rei deseja honrar?” (Ester 6.6). Com presunção, cegueira espiritual e o coração cheio de ódio, Hamã só conseguia pensar que ele era esse homem a quem o rei tinha o desejo de honrar. Por isso, disse sem hesitar: “tragam-se as vestes reais, que o rei costuma usar, e o cavalo em que o rei costuma andar montado, e tenha na cabeça a coroa real; entreguem-se as vestes e o cavalo às mãos dos mais nobres príncipes do rei, e vistam delas aquele a quem o rei deseja honrar; levem-no a cavalo pela praça da cidade e diante dele apregoem: Assim se faz ao homem a quem o rei deseja honrar” (Ester 6.8-9). O rei sabia que Mordecai era judeu? Ele sabia que Hamã o odiava? A ordem do rei para Hamã foi a pior coisa que lhe poderia ter acontecido. Ele estava tão confiante em sua vitória que o orgulho lhe subiu à cabeça. Agora, porém, ele teria que desfilar pela cidade falando para as pessoas que Mordecai era o homem que o rei se alegrava em honrar. Os cidadãos de Susã estavam indubitavelmente confusos. Eles ficaram chocados com a proclamação de que todos os judeus deveriam ser mortos em determinado dia. Certamente eles sabiam que tinha sido Hamã quem havia expedido tal ordem. No entanto, agora ele estava levando Mordecai montado em um dos cavalos do rei, elogiando-o em alta voz, para todos ouvirem.
Assim que retornou ao palácio, “Hamã se retirou correndo para casa, angustiado e de cabeça coberta” (Ester 6.12). Aí ele recebeu notícias ainda piores: “Então, os seus sábios e Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mordecai, perante o qual já começaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele; antes, certamente, cairás diante dele” (Ester 6.13). Com certeza, o povo de Susã já estava familiarizado com os judeus. Eles viviam juntos na mesma cidade que abrigava as sinagogas onde os judeus se reuniam. Eles trabalhavam para se sustentar. Alguns eram bem-sucedidos e contratavam outros, criando empregos. Não temos razão nenhuma para acreditar que os judeus daquela época em Susã eram diferentes dos de hoje. A frase “Se Mordecai... é da descendência dos judeus...”, indica que eles eram respeitados e conhecidos pela sua adoração ao Deus invisível e pelo estudo da Sua Palavra.
Hamã havia articulado uma estratégia infalível, e a aniquilação dos judeus estava certa; apenas um curto período de tempo os separava da vida e da morte. Eles também sabiam que a lei outorgada pelo rei não poderia ser revogada. Uma vez que a lei fora sancionada com o selo real, ela tinha que ser aplicada. Isso indica claramente que o governo medo-persa era de qualidade muito superior às formas de governo que temos hoje. Agora, os políticos podem prometer muitas coisas aos seus eleitores, mas quando são eleitos eles não são obrigados, por lei, a manter suas promessas. Portanto, compreendemos que das quatro potências gentílicas – Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma – a última é a inferior. No livro de Daniel, capítulo 2, vemos a composição das quatro potências mundiais: Babilônia, representada pelo ouro; Medo-Pérsia, prata; Grécia, cobre; e Roma, ferro e barro. Portanto, a inferioridade de todos os governos após a Babilônia e a Medo-Pérsia é evidente.
Hamã nem tinha bem terminado de ouvir as terríveis notícias de sua própria esposa e de seus conselheiros quando uma mensagem urgente do rei o interrompeu: “Falavam estes ainda com ele quando chegaram os eunucos do rei e apressadamente levaram Hamã ao banquete que Ester preparara” (Ester 6.14).
Hamã é desmascarado
Esse banquete privado que a rainha Ester havia preparado era realmente muito especial. O convidado de honra era Hamã, e pela terceira vez o rei perguntou: “Qual é a tua petição, rainha Ester?” (Ester 7.2). Aí, outra revelação devastadora foi feita: “Então, respondeu a rainha Ester e disse: Se perante ti, ó rei, achei favor, e se bem parecer ao rei, dê-se-me por minha petição a minha vida, e, pelo meu desejo, a vida do meu povo. Porque fomos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem e aniquilarem de vez; se ainda como servos e como servas nos tivessem vendido, calar-me-ia, porque o inimigo não merece que eu moleste o rei” (Ester 7.3-4). O rei Assuero, que havia depositado sua total confiança em Hamã, aparentemente não tinha investigado coisa alguma sobre as origens da rainha Ester. Ele não sabia que ela era judia. “Então, falou o rei Assuero e disse à rainha Ester: Quem é esse e onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim?” (Ester 7.5). De forma triunfante, Ester havia chegado ao ponto final de seu plano. Essa frágil e bonita mulher, que arriscou sua vida para salvar seu povo, agora tinha a atenção do rei, a maior autoridade naquela terra. “Respondeu Ester: O adversário e inimigo é este mau Hamã. Então Hamã se perturbou perante o rei e a rainha” (Ester 7.6).
“Hamã, porém, ficou para rogar por sua vida à rainha Ester, pois viu que o mal contra ele já estava determinado pelo rei” (Ester 7.7). |
Hamã tinha toda a razão de estar com medo. Agora esse homem, que antes fora tão ousado e corajoso, revelou-se um covarde: “Hamã, porém, ficou para rogar por sua vida à rainha Ester, pois viu que o mal contra ele já estava determinado pelo rei” (Ester 7.7). O fim de Hamã tinha chegado; não havia mais chance para misericórdia:“Tendo o rei dito estas palavras, cobriram o rosto de Hamã” (Ester 7.8). Um homem condenado não poderia mais olhar para a face do rei. A forca que Hamã havia construído para matar Mordecai, o judeu, tornou-se instrumento de sua própria execução: “Enforcaram, pois, Hamã na forca que ele tinha preparado para Mordecai. Então, o furor do rei se aplacou” (Ester 7.10).
O último pedido da rainha Ester
Hamã foi executado e Mordecai foi exaltado. Contudo, os problemas do povo judeu no reino ainda não estavam resolvidos.
Novamente, Ester arriscou sua vida: “Falou mais Ester perante o rei e se lhe lançou aos pés; e, com lágrimas lhe implorou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e a trama que havia empreendido contra os judeus” (Ester 8.3). Novamente, “estendeu o rei para Ester o cetro de ouro...” (Ester 8.4). Esse era o sinal da graça, e agora ela poderia novamente apresentar seu caso em favor do seu povo: “...escreva-se que se revoguem os decretos concebidos por Hamã, filho de Hamedata, o agagita, os quais ele escreveu para aniquilar os judeus que há em todas as províncias do rei” (Ester 8.5).Mas havia um problema: o rei não poderia conceder esse último desejo à rainha Ester. A lei daquela terra era irrevogável. Uma vez que o rei havia autorizado e selado referida lei com seu anel, ela não poderia ser revertida,“...porque os decretos feitos em nome do rei e que com o seu anel se selam não se podem revogar” (Ester 8.8).
Isso deve nos lembrar das eternas leis de Deus. Quando o Senhor avisou a Adão que ele morreria se comesse do fruto proibido, essa Lei não poderia ser revogada. Daquele dia em diante, cada pessoa na face da terra estava destinada a morrer, desde o momento de seu nascimento. Não existe possibilidade de se revogar uma Lei Eterna de Deus. Portanto, qualquer um que quiser viver sob a Lei, nunca terá a chance de ter a vida eterna. Para podermos escapar da morte eterna, precisamos aprender uma nova Lei. Essa Lei é baseada em uma outra Lei, estabelecida pelo Filho de Deus. João 3.36 diz: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Esse é o ponto principal da mensagem da Bíblia: a fé no sacrifício substituto do Filho de Deus nos coloca sob a jurisdição de uma nova Lei, a Lei do amor. A morte certamente está sob a Lei antiga; contudo, essa sentença de morte já foi executada sobre o Senhor Jesus Cristo, que pagou pelas nossas transgressões em sua totalidade. Qualquer tentativa em manter leis estabelecidas por assembléias, em guardar certos dias santos ou o sábado, a fim de se obter a justificação, é vã. Nada disso levará à salvação eterna, mas sim à condenação. A Bíblia diz claramente: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las. E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)” (Gálatas 3.10-13).
No caso da rainha Ester, vemos que uma nova lei teria que ser escrita:“Então, foram chamados, sem detença, os secretários do rei, aos vinte e três dias do mês de sivã, que é o terceiro mês. E, segundo tudo quanto ordenou Mordecai, se escreveu um edito para os judeus, para os sátrapas, para os governadores e para os príncipes das províncias que se estendem da Índia à Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada uma no seu próprio modo de escrever, e a cada povo na sua própria língua; e também aos judeus segundo o seu próprio modo de escrever e a sua própria língua” (Ester 8.9). Qual era o conteúdo dessa lei? “...o rei concedia aos judeus de cada cidade que se reunissem e se dispusessem para defender a sua vida, para destruir, matar e aniquilar de vez toda e qualquer força armada do povo da província que viessem contra eles, crianças e mulheres e que se saqueassem os seus bens” (Ester 8.11).
Quem eles iriam destruir? Que propriedade eles saqueariam? Anteriormente, vimos que os inimigos dos judeus se identificaram pelos preparativos que estavam fazendo para a sua destruição. Tenho certeza que os judeus sabiam exatamente onde moravam seus inimigos. A lei anterior, redigida por Hamã, havia causado a identificação de tais inimigos.
Um evento similar aconteceu quando Israel estava sob o jugo de Faraó. Depois que Moisés requisitou a liberação do povo, Faraó se recusou a deixá-lo partir e ordenou que os israelitas fossem pelo campo e ajuntassem sua própria palha. Assim fazendo, eles se familiarizaram com os vizinhos egípcios, suas casas, e também o conteúdo destas. Então, quando chegou a hora do êxodo, eles foram até a casa daquelas pessoas e pegaram seus bens mais valiosos.
Os judeus ainda tinham uma sentença de morte pairando sobre suas cabeças, mas também tinham uma nova lei selada pelo rei: “No dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar, quando chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus contavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, pois os judeus é que se assenhorearam dos que os odiavam; porque os judeus, nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para dar cabo daqueles que lhes procuravam o mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o terror que inspiravam caiu sobre todos aqueles povos. Todos os príncipes das províncias, e os sátrapas e os governadores, e os oficiais do rei auxiliavam os judeus, porque tinha caído sobre eles o temor de Mordecai” (Ester 9.1-3).
O livro de Ester. |
A rainha Ester arriscou sua vida. Ela estava disposta a sacrificar-se por seu povo e passou a ser a principal personagem envolvida na salvação física da raça judaica. Seu primo Mordecai foi elevado à realeza: “Então, Mordecai saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com grande coroa de ouro e manto de linho fino e púrpura; e a cidade de Susã exultou e se alegrou” (Ester 8.15). É importante observar o resultado dessa elevação de Mordecai: “Sucedeu isto no dia treze do mês de adar; no dia catorze, descansaram e o fizeram dia de banquetes e de alegria” (Ester 9.17). É assim que o Senhor trabalha. Em meio à fraqueza, Ele demonstra Sua força; em meio ao desespero, Ele dá eterna segurança. E através da morte, Ele traz a vida eterna. Nenhuma campanha, protesto organizado ou resistência teria ajudado os judeus durante o reinado de Assuero. Apenas a resolução firme da rainha Ester em arriscar a sua vida fez a diferença.
Quando o Evangelho é pregado em verdade, como foi o caso da igreja primitiva em Jerusalém, o Senhor age. Lemos em Atos 2.42-43,46-47: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”.
Na igreja primitiva eles “perseveravam na doutrina dos apóstolos”.Novamente, não lemos nada sobre qualquer tipo de marchas de protesto, oposição contra o governo, ou de luta contra todos os tipos de maldade social. Porém, a verdadeira dedicação dos crentes ao Evangelho fez com que tivessem o favor do povo. Eles não eram respeitados por sua posição social, mas por causa da sua simples fé, obedecendo ao que o Senhor havia ordenado, pregando o Evangelho a todas as pessoas em todo lugar.
No desenvolvimento da igreja primitiva, nada lemos sobre cruzadas especiais ou grandes eventos ecumênicos, mas sim sobre a adesão à doutrina dos apóstolos. A última frase diz: “...acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Essa é a chave para a evangelização nos últimos dias. É de suma importância fazermos a vontade de Deus. Quando formos obedientes a Deus e nos dispusermos a nos sacrificar pela causa do Evangelho, verdadeiramente o Senhor acrescentará à Igreja diariamente os que forem salvos.
Até o dia de hoje, a festa de Purim é celebrada em Israel e nas casas dos judeus em todo o mundo. |
A instituição da festa de Purim
Até o dia de hoje, a festa de Purim é celebrada em Israel e nas casas dos judeus em todo o mundo. É a celebração da vitória da rainha Ester sobre Hamã, o inimigo dos judeus: “Mordecai escreveu estas coisas e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto e aos de longe, ordenando-lhes que comemorassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres. Assim, os judeus aceitaram como costume o que, naquele tempo, haviam feito pela primeira vez, segundo Mordecai lhes prescrevera; porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus; e tinha lançado o Pur, isto é, sortes, para os assolar e destruir. Mas, tendo Ester ido perante o rei, ordenou ele por cartas que o seu mau intento, que assentara contra os judeus, recaísse contra a própria cabeça dele, pelo que enforcaram a ele e a seus filhos. Por isso, àqueles dias chamam Purim, do nome Pur. Daí, por causa de todas as palavras daquela carta, e do que testemunharam, e do que lhes havia sucedido” (Ester 9.20-26). (Arno Froese - http://www.beth-shalom.com.br)
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, abril de 2006.Meditação Diária
24 de Abril
"Remindo o tempo, porque os dias são maus." (Efésios 5.16)
É contraditório o que vemos hoje em dia: o homem moderno luta com o tempo e se queixa da falta de tempo, embora possa abreviar muitas coisas com o auxílio de máquinas. Tempo é um conceito relativo. Um produz muito mais em poucos minutos e outro leva horas para fazer a mesma coisa. Quando Paulo diz que devemos remir o tempo, ele quer enfatizar que devemos transformar nosso tempo limitado em valor eterno. Como acontece isso? Primeiramente por meio de uma vida fiel de oração. Não devemos orar ocasionalmente, mas de maneira fiel e regular. Daniel, em sua época, remia seu tempo de maneira extraordinária. O valor eterno em sua vida salta aos olhos. Por quê? Porque ele era um homem de oração. Ele orava três vezes ao dia, e isso em horários determinados. Por isso, as coisas eternas e infinitas brotavam e aconteciam em sua vida.
Uma pessoa que ora também tem condições de se aquietar. Isso o inimigo teme muito, porque Paulo diz: "...e a diligenciardes por viver tranqüilamente." No silêncio, o Espírito de Deus fala a nós, nos convence e nos disciplina, e nos leva a buscar a purificação dos pecados do passado, através do sangue de Jesus.
Extraído do livro "Pérolas Diárias" (de Wim Malgo)
Os Bilhões do Vaticano - parte 46
A Frente Popular, com o seu programa semi-bolchevista parecia ser a força de uma França comunista. Uma França Comunista teria se comportado – até o ponto em que os interesses do Vaticano estavam em jogo – pior do que a Revolução Francesa e a República Francesa ateísta do início do século 20.
O Vaticano, portanto, se colocou fortemente contra o governo da Frente Popular. As organizações católica de direita, organizada nos moldes do Fascismo, tomou a dianteira – isto é – a cruz de fogo (Le Croix de Feuz). Surgiram rumores de uma guerra civil pendente e isso não apenas ameaça. A guerra civil já havia estado por trás dos Pirineus, vizinhos da Espanha, onde um governo semelhante havia falhado profundamente. Crises econômicas, políticas, caos e assassinatos tinham se tornado a ordem do dia. O comunismo e a anarquia ameaçavam de modo real e iminente. Aos olhos do Vaticano a continuação de tal instabilidade ameaçava não apenas os interesses espirituais da Igreja, mas também suas riquezas terrenas. Uma grande porção destas já havia escapado, pois em 1931 a República Espanhola fizera exatamente o que os franceses e os russos já haviam feito durante suas revoluções – desapossado a Igreja de suas propriedades. Uma das primeiras ações da república, de fato, fora despojar os jesuítas de tudo que possuíam.
Suas possessões não tinham se limitado a pequenas parcelas que possibilitassem os pobres de Cristo a plantar soja, nem eram somente para ajudar as viúvas e os órfãos carentes. A Igreja era a maior, a mais rica dona de terras em toda a Espanha – até mesmo bem maior do que a da decadente aristocracia com a qual ela se aliara intimamente, de modo que em geral era bem difícil distinguir uma da outra. A República imparcialmente despojada, tanto de seus bens com o resultado de que se achou com não menos de treze milhões de acres de terra, que foram divididos em pequenos lotes para um milhão de camponeses.
A propriedade da Igreja Católica na Espanha nesse período (cerca de 1933) era, conforme John Guinther avaliada em não menos de quinhentos milhões de dólares, sendo a maior parte desta controlada pelos jesuítas. Quando a República Espanhola confiscou ali suas vastas possessões, foi oficialmente confirmado que estavam avaliadas em seis milhões de pesetas e antes da inflação, que veio logo depois, isto significa um valor de mais de um bilhão de dólares. Esta soma colossal, deve-se lembrar, foi o que restou depois que a propriedade da Igreja já havia sido substancialmente reduzida por maus legisladores durante o século anterior, quando a Espanha estivera em um ou dois períodos de anti-clericalismo. Nos dias antigos havia sido estimado que a Igreja possuía entre 80 e 90% de toda a fortuna da Península Ibérica (1). No início da I Guerra Mundial esta fora reduzida a 60%.
Não é de admirar, portanto, que em 1936, quando Mussolini foi para a guerra na África e a frente Popular na França ameaçava a religião e a propriedade da Igreja, que o Vaticano se aliasse a um quase desconhecido general, que naquele mesmo ano se revoltou contra o governo espanhol em Madri. Seu nome era General Franco. A guerra civil espanhola havia começado. Quer a República Espanhola merecesse morrer, quer fosse ela a precursora do anarquismo e eventualmente do Bolchevismo, quer Franco estivesse certo ou errado ao rebelar-se contra a fraqueza, inércia e demagogia dos republicanos, cabe à história julgar. Um fato indiscutívrl, contudo, está bem claro – a Igreja Católica bancou a rebelião até o fim – em verdade ela patrocinou. Em verdade, ela foi uma das agências mais importantes em alimentá-la e promovê-la.
O motivo que a levou a fazer isso não foi apenas o de salvaguardar o seu monopólio religioso, mas antes e sobretudo sua imensa riqueza temporal – um verdadeiro estrangulamento na vida econômica e financeira da nação. “Seu pecado capital é que ela é rica numa terra de pobreza”, comentou um jornal católico, referindo-se à Igreja Católica na Espanha durante a Guerra Civil Espanhola.
Após quase quatro anos de sangrentos assassinatos de civis (1936/1939) e o holocausto de quase um milhão de mortos, finalmente as forças nacionalistas venceram. A Igreja Católica cantou o Te Deum em toda a Península Ibérica. A sua propriedade de um bilhão de dólares já não estava mais ameaçada. Pertencia-lhe novamente. Deus seja louvado!
Capítulo 18
A riqueza total da Igreja Católica,
antes e durante a Segunda Guerra Mundial
A Guerra Civil Espanhola nem bem tinha terminado, quando a II Guerra Mundial explodiu (setembro 1939). A primeira, embora feroz e ameaçada de perigosa intervenção internacional pelos comunistas russos, fascistas italianos, nazistas alemães, Brigada Internacional, Frente Popular e outros, havia pelo menos sido realizada e ganha dentro da fronteira espanhola. A Igreja Católica havia colocado a salvo ali sua imensa fortuna. Onde ela iria se estabelecer agora, com relação à sua força política e econômica fora da península ibérica?
O papado, embora apreensivo, parecia não temer coisa alguma. Hitler, sem levar em conta pequenas disputas periódicas com a hierarquia católica germânica, jamais havia ameaçado tomar a riqueza da Igreja. Pelo contrário, ele havia assegurado as propriedades e a estabilidade católica dentro do Reich Nazista através de um solene tratado – a Concordata - assinada entre Hitler e o Papa Pio XI, em junho de 1933, apenas alguns meses após Hitler ter-se tornado o Chanceler da Alemanha, em janeiro. Este feliz estado de negociações foi devido ao fato principal de que a Igreja Católica e o Nazismo haviam concordado em se apoiar mutuamente. Ao mesmo tempo em que Hitler garantia ao Vaticano suas propriedades e vários privilégios especiais, o Catolicismo ordenava ao seu clero não fazer pacto algum de ataque ao Nazismo. Orações eram rezadas publicamente em favor da Alemanha Nazista. Os bispos obrigavam todos os padres católicos a jurar que eles jamais se oporiam ou prejudicariam a ditadura nazista. Era o mesmo tipo de casamento formal daquele contraído com a Itália fascista, apenas quatro anos antes.
Considerado sob o enfoque acima, portanto, o assunto de como Hitler seria mau, não interessava ao papado, pois basicamente ele seria útil – até o ponto em que se posicionasse contra Stalin. Este era a personificação do Bolchevismo, que procurava aniquilar a Igreja e se apossar de suas propriedades. Hitler dispôs-se a destruir não apenas Stalin, mas também o Bolchevismo russo e europeu. Daí, com guerra ou sem guerra, ele se tornaria o mais efetivo defensor da Igreja e, portanto, de todos os bilhões desta.
Tal argumento, visto do interesse próprio do Vaticano, parecia bom e esta é a razão por que o seu principal promotor, o Cardeal Pacelli, mais tarde Papa Pio XII, seguiu, desde o princípio, uma política de apoio direto aos dois mais vigorosos movimentos de extrema direita anti-comunistas do período, o Fascismo italiano e o Nazismo germânico. O Vaticano foi ao ponto de pavimentar o caminho para Hitler, e em verdade forçar os católicos alemães dissidentes a apoiarem a linha Vaticano- Hitlerista. Os quatro objetivos dessa política foram estabelecidos: 1) Quando o líder do Partido Católico Alemão, Franz Von Papen, foi nomeado Vice-Chanceler da Alemanha Nazista, secundado apenas por Hitler, em janeiro de 1933; 2) Quando os deputados do Partido Católico no Parlamento votaram pela concessão de poder absoluto para Hitler (23/03/1933); 3) Quando o Vaticano deu ordens ao líder do Partido de Centro Alemão (Partido Católico) para se dissolver, de modo a encerrar qualquer oposição contra Hitler – o que foi feito imediatamente, em 05/07/1933, e 4) Quando o Vaticano e Hitler assinaram a Concordata, no verão de 1933. Conforme o Artigo 20 desta concordata “...Aos domingos orações especiais... serão oferecidas... para o bem estar do Reich (Alemanha Nazista)”. Bem mais sério era o Artigo 16: “Antes dos Bispos tomarem posse em suas dioceses, devem fazer um pacto de lealdade ao Representante do Reich...” Todos os detalhes desta política já foram tornados públicos por este autor em seu livro “The Vatican in World Politics”.
Olhando-se retrospectivamente, a colaboração Hitler-Vaticano parece um colossal julgamento errado da parte do papado. Contudo, nesse período, a ameaça do Comunismo nos campos doméstico e internacional era real, pressionadora e iminente. O Comunismo estava pondo em risco não apenas a religião, mas também a riqueza da religião estabelecida, inclusive toda a riqueza da Igreja Católica Romana.
Ao explodir a II Guerra Mundial, portanto, a Igreja não hesitou sobre de que lado ficaria. Sem dúvida, como a fé possuía adeptos de ambos os lados, a Igreja Católica tinha de desempenhar o papel oficial de neutralidade. Ela não podia antagonizar milhões de Católicos na França, Bélgica, Holanda, Polônia, Inglaterra e, acima de tudo, nos Estados Unidos. Mas enquanto desempenhava o papel de “pai universal”, Pio XII, estava apoiando a cruzada hitlerista, até o ápice, como o fizeram alguns países católicos fora do campo dos Aliados.
A guerra de Hitler, vista a partir de Roma, era uma cruzada essencialmente anti-bolchevista. Quando, portanto, em junho de 1941, Hitler cruzou as fronteiras da Rússia, houve manifesta alegria no Vaticano. Orações, novenas e o culto a Fátima, baseado nas promessas da Virgem de que “o Santo Padre me consagrará a Rússia” foram todas revividas e magnificadas.
Para ajudar a promessa da Virgem a se tornar realidade, e também tornar possível a Pio XII consagrar-lhe a Rússia, ospaíses católicos enviaram contingentes ao front russo. Os católicos da Espanha enviaram a Divisão Azul junto com os exércitos nazistas, e voluntários deram dízimos em praticamente todos os países católicos. Enquanto tal acontecia, Franco determinou-se a reconstruir sua terra meio destruída. Isso ele fez, restaurando as fortunas do Vaticano na Espanha varrida pela guerra. Desse modo em 27/01/1940, ele assinou um decreto devovendo formamelmente “as vastas propriedades pertencentes à Sociedade de Jesus, que haviam sido confiscadas pela República, em 1932”. Ao mesmo tempo ele também restaurou todas as terras que a República ou os legalistas haviam tomado da Igreja Católica, em 1931.
SALMO 40
| 1 | ESPEREI com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. |
| 2 | Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. |
| 3 | E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor. |
| 4 | Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira. |
| 5 | Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar. |
| 6 | Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste. |
| 7 | Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. |
| 8 | Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração. |
| 9 | Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, Senhor, tu o sabes. |
| 10 | Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade. |
| 11 | Não retires de mim, Senhor, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade. |
| 12 | Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração. |
| 13 | Digna-te, Senhor, livrar-me: Senhor, apressa-te em meu auxílio. |
| 14 | Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal. |
| 15 | Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah! |
| 16 | Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor. |
| 17 | Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus. |
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Meditação Diária
23 de Abril
"Alegro-me nas tuas promessas, como quem acha grandes despojos."(Salmo 119.162)
A alegria no Senhor não depende dos nossos sentimentos, pois nada é tão inconstante e volúvel como nossas emoções. O sentimento é a expressão da alegria ou tristeza da alma. Esta alegria imperfeita e instável deve se tornar perfeita e estável pela imutável alegria no Senhor. Tudo muda, mas Ele não muda nunca. Do Senhor está escrito: "Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre." Se não recusamos a espada da Palavra de Deus, então também não rejeitamos a Jesus Cristo. Se permanecermos nEle, e nossa alegria será completa. Sua alma se elevará ao Senhor, e Sua alegria, Sua imutável e eterna alegria será tão forte em você que você poderá soltar gritos de júbilo: "A alegria do Senhor é a minha força." Aquele que tem essa alegria do Senhor é independente dos sentimentos de uma maneira muito soberana, quer sejam alegres ou tristes as emoções do momento. Enquanto a alegria do Senhor nascer unicamente da nossa angústia interior, ela é totalmente independente das ameaças exteriores.
Extraído do livro "Pérolas Diárias" (de Wim Malgo)
Os Bilhões do Vaticano - parte 45
Por último, mas não menos importante, a Igreja Católica tinha o suporte da ditadura fascista. A última achou que devia identificar-se não apenas ideológica mas também financeiramente com o regime, de modo que os milhões que o Vaticano estava investindo na economia fascista poderia tornar a se transformar em suporte para o Fascismo, a despeito de disputas menores em assuntos locais.
A política papal fascista foi um sucesso retumbante. Pois nos próximos dez anos, a partir da assinatura do Tratado em 1929, até o estouro da II Guerra Mundial, os milhões haviam sido tão habilmente investidos que geraram grandes lucros em dinheiro líquido e valorização dos investimentos imobiliários e o crescimento geral das organizações industriais e porcentagens.
A crescente prosperidade industrial resultou da altíssima política beligerante da sócia do Vaticano – a Itália Fascista. Pois Mussolini, entrementes havia começado a se mover numa trilha de agressão. Alguns anos após o Tratado Laterano, sabendo com certeza do apoio do Vaticano, ele embarcou em sua primeira agressão estrangeira em larga escala. Atacou, invadiu e ocupou a Etiópia (1936).
A Igreja Católica abençoou essa aventura. Bispos e padres jogavam água benta sobre as tropas que partiam, sobre os aviões, tanques e fuzis bélicos.
Era uma visão chocante para o mais cínico dos descrentes. Em adição a este caloroso apoio, a Igreja ajudou a Itália Fascista secretamente com dinheiro e empréstimos, transacionados através de canais duvidosos, graças aos estreitos laços entre os bancos italianos e as organizações industriais do governo.
Deve-se lembrar que a maior parte da indústria italiana havia sido gerenciada para essa guerra durante alguns anos e que o Vaticano havia investido uma grande fatia do seu Tratado Laterano nas indústrias de guerra fascistas. Isso ele havia feito não tanto para ajudar o Fascismo, mas para ajudar a si mesmo, até o ponto em que achava ser este um bom investimento, visto como as indústrias bélicas, quando a serviço de um governo necessitando de armamento e de armas mais sofisticadas sempre foram as melhores geradoras de lucros. O Vaticano sempre à procura de bons lucros, se atirou pesadamente sobre estes e como investidor cujo objetivo principal era o lucro, ele agia como qualquer corporação leiga o faria. Além do que havia a expectativa de imensos lucros por vir, com a anexação da Etiópia. À parte do aspecto religioso, o Vaticano ficara grandemente impressionado com a perspectiva de grandes lucros financeiros e de proveitosos investimentos em terras, imóveis e aventuras comerciais em um novo império fascista na África. Mussolini fora generoso com sua promessas a esse respeito enquanto recebesse o apoio do papa.
Enquanto a agressão à Abissínia ainda estava em franco progresso, o Vaticano embarcou numa política de investimentos financeiros e territoriais com esperteza consumada. Além disso, os lucros da aventura bélica de Mussolini, ele investiu em diversas especulações proveitosas de guerra mesmo que a longo prazo. Isso ele fez explorando astutamente o aumento de valores de terra causado pelo rápido crescimento e expansão da própria Roma. Dentro de alguns anos o Vaticano tornou-se proprietário de ainda mais proveitosos imóveis dentro e fora de Roma. Ele começou a possuir grandes blocos de apartamentos, escritórios e valiosas extensões de terras que se desenvolviam nos arredores da cidade. Este último gerou cem por cento de lucros com a inevitável explosão construtora que se seguiu. Dessa maneira, graças à sua esperteza financeira, previsões e cálculos, graças à proteção fascista e à sua vasta máquina eclesiástica e leiga, dentro do breve espaço de uma década o Vaticano construiu uma grande fortuna dentro daquela mesma Itália, que apenas 50 anos antes lhe havia retirado das mãos os Estados Papais.
Enquanto estava empenhado em construir um império financeiro na Itália, o Vaticano não ficou de modo algum parado fora da mesma. De fato, suas atividades no exterior não eram menos variadas e energéticas. Nos países nominalmente protestantes, como a Holanda e a Alemanha, onde ele havia discretamente acumulado vastos fundos, ele continuou sua política de aquisição, evitando, sempre que possível, qualquer movimento espetacular, visto como o silêncio e a discrição eram os melhores métodos de prosseguir numa política de penetração econômica numa comunidade potencialmente inimiga.
Onde quer que suas riquezas estivessem seguras, como na católica Polônia, por exemplo, onde suas possessões haviam se multiplicado desde o renascimento do país após a I Guerra Mundial, o Vaticano raramente interferia com pressão eclesiástica nos assuntos internos do país. O mesmo se dava com a Hungria, Tchecoslováquia, Áustria, Bélgica e outros países europeus, onde os negócios econômicos da Igreja tinham uma certa estabilidade e, portanto, um futuro potencialmente garantido. Graças a isto, as propriedades naqueles países continuavam a crescer em valor, com suas transações financeiras, principalmente executadas pelas hierarquias nacionais que gozavam o favor de vários governos.